Questão nº 50
Questão de Educação Especial · FGV SEE-MG 2023 (nº 50)
“A expressão deficiência visual se refere a um amplo espectro de possibilidades. Nós todos temos diversos ‘sistemas-guia’, formas muito pessoais que usamos para nos orientar no espaço, em geral sem tomar consciência disso. Por exemplo: para aprender um caminho, há quem se oriente por uma casa diferente, um prédio, ou outro marco de referência. Outros têm uma boa noção dos pontos cardeais (norte, sul), usando-a como orientação. A visão constitui um desses sistemas-guia, assim, as pessoas com deficiência visual precisam recorrer a outros tipos de sistema-guia.”
A respeito do espectro de possibilidades da deficiência visual, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Baixa visão é a alteração da capacidade funcional da visão, decorrente de inúmeros fatores isolados que interferem no desempenho visual. Cegueira é a perda total da visão, até a ausência de projeção de luz.
( ) Tanto para pessoas com baixa visão quanto para pessoas cegas, o processo educativo se desenvolverá priorizando os sentidos remanescentes tato, audição, olfato, paladar em vez do sentido da visão.
( ) O conteúdo de escrita cursiva, que tem com um de seus objetivos permitir ao indivíduo escrever seu próprio nome, deve ser ofertado somente para as pessoas com baixa visão, enquanto o Braile deverá ser ofertado somente para as pessoas cegas.
As afirmativas são, respectivamente,
- AV – F – F. (alternativa correta)
- BF – V – F.
- CV – V – V.
- DF – F – V.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Conceito-chave: Deficiência visual é um espectro (um leque de situações) que vai desde a baixa visão (ainda há resíduo visual aproveitável com recursos) até a cegueira (perda total ou quase total da visão). A condição não define o método de ensino: o que define é a funcionalidade e a necessidade de cada aluno, não um rótulo fixo.
- (A) Correta: A sequência correta é V – F – F: a primeira é verdadeira (baixa visão é alteração funcional e cegueira vai até ausência de projeção de luz); a segunda é falsa (o processo educativo não prioriza automaticamente os outros sentidos, pois pessoas com baixa visão devem usar a visão residual sempre que possível); a terceira é falsa (a escolha entre cursiva e Braile é individual e funcional, não determinada apenas pela condição: uma pessoa com baixa visão pode precisar de Braile e uma cega pode usar recursos táteis para assinatura, por exemplo).
- (B) Incorreta: A primeira afirmação é verdadeira (não F), e a segunda é falsa (não V), então a sequência F – V – F está errada.
- (C) Incorreta: A terceira afirmação é falsa (não V), pois a oferta de cursiva ou Braile depende da avaliação funcional do aluno, não de uma regra fixa por tipo de deficiência.
- (D) Incorreta: A primeira afirmação é verdadeira (não F), e a terceira é falsa (não V), então F – F – V não corresponde.
Armadilha da banca (no distrator mais tentador, a C): A pegadinha está em achar que "baixa visão = cursiva" e "cegueira = Braile", uma visão engessada e excludente. A banca quer que você perceba que a inclusão exige decisão pedagógica individualizada: uma pessoa com baixa visão severa pode ter mais eficiência no Braile, e uma pessoa cega pode aprender a assinar em cursiva com adaptações. Além disso, a segunda afirmação (priorizar sempre os outros sentidos) é um mito capacitista: quem tem baixa visão deve ser estimulado a usar a visão residual, não substituí-la por outros sentidos.
Fonte: FGV SEE-MG 2023 PEB - Educação Especial (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.