Questão nº 44
Questão de Psiquiatria · FGV PM-AM 2021 (nº 44)
Uma mulher de 26 anos de idade está em tratamento para Transtorno Obsessivo-Compulsivo há sete anos. Atualmente ela faz uso de fluoxetina na dose de 80mg/dia, porém ainda apresenta pensamentos obsessivos e compulsões que consomem mais de uma hora de seu dia.
Avalie as seguintes estratégias possíveis de tratamento para o caso.
I. Encaminhar a paciente para psicoterapia cognitivo-comportamental.
II. Substituir o tratamento atual por venlafaxina (150 a 375 mg/dia).
III. Adicionar risperidona 1mg/dia ao esquema terapêutico.
A(s) estratégia(s) correta(s) é(são)
- Aapenas a I e a II.
- Bapenas a II e a III.
- Capenas a I e a III.
- Da I, a II e a III. (alternativa correta)
- Eapenas a I.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) refratário ocorre quando o paciente não responde adequadamente a um tratamento de primeira linha, como um inibidor seletivo de recaptação de serotonina (ISRS) em dose máxima por tempo suficiente. Nesses casos, abordagens combinadas ou alternativas são necessárias.
(A) Incorreta: Esta alternativa exclui a possibilidade de substituição medicamentosa ou de aumento com antipsicóticos, que são estratégias válidas para TOC refratário.
(B) Incorreta: Esta alternativa exclui a psicoterapia cognitivo-comportamental, que é uma intervenção fundamental e altamente eficaz para o TOC, mesmo em casos refratários, e frequentemente recomendada em combinação com a farmacoterapia.
(C) Incorreta: Esta alternativa exclui a substituição por venlafaxina, que é uma opção terapêutica considerada em casos de falha com ISRS, embora não seja a primeira escolha após um ISRS de alta dose.
(D) Correta: Todas as três estratégias são consideradas válidas para o tratamento do TOC refratário.
* I. Encaminhar para psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC): A TCC, especialmente com exposição e prevenção de resposta (ERP), é um tratamento de primeira linha para o TOC e é altamente recomendada em combinação com medicação, especialmente quando a resposta à medicação é parcial ou insuficiente.
* II. Substituir por venlafaxina: A venlafaxina, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (SNRI), pode ser uma alternativa a um ISRS em casos refratários, embora a evidência para sua eficácia no TOC seja menos robusta que para os ISRS. No entanto, é uma opção terapêutica a ser considerada após a falha de um ISRS em dose máxima.
* III. Adicionar risperidona: A potenciação (ou aumento) com baixas doses de antipsicóticos atípicos (como risperidona, aripiprazol ou quetiapina) é uma estratégia bem estabelecida para o TOC refratário que não respondeu a um ISRS em dose adequada. A dose de 1mg/dia de risperidona é uma dose comum para essa finalidade.
(E) Incorreta: Esta alternativa considera apenas a psicoterapia, ignorando as importantes estratégias farmacológicas de substituição e potenciação.
Fonte: FGV PM-AM 2021 Oficial da PM - Médico Psiquiatra (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.