Questão nº 49

Questão de Direito Administrativo · FGV PCERJ 2021 (nº 49)

FGV2021Inspetor de PolíciaDireito Administrativo
Gabarito: Bver comentário ↓

Antônio, delegado de polícia do Estado Gama, titular da Xª DP, ao elaborar a escala de trabalho dos agentes policiais lotados na Unidade de Polícia Judiciária sempre designava o inspetor de polícia João para as sextas, sábados e domingos, dias menos concorridos pelos servidores, haja vista que o inspetor é seu antigo desafeto. Inconformado com a perseguição, e após não obter êxito em pedido de reconsideração, João apresentou recurso administrativo hierárquico previsto na norma de regência ao secretário estadual de Polícia Civil, comprovando a retaliação praticada pelo delegado.
No caso em tela, o chefe institucional:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O abuso de poder ocorre quando um agente público usa sua autoridade de forma indevida. Ele se manifesta de duas formas: excesso de poder, que é quando o agente age além dos limites da sua competência (faz mais do que pode), e desvio de finalidade (ou desvio de poder), que é quando o agente usa sua competência para atingir um objetivo pessoal ou diferente do interesse público (faz o que pode, mas por um motivo errado).

  • (A) Incorreta: Não se trata de excesso de poder. O delegado Antônio tinha competência para elaborar a escala de trabalho. Ele não agiu além de suas atribuições legais. O problema não foi o "o quê" ele fez, mas o "porquê" ele fez.
  • (B) Correta: O delegado Antônio, embora competente para fazer a escala, utilizou essa competência com uma finalidade particular e ilegítima (perseguir seu desafeto), em vez da finalidade pública de organizar o serviço. Isso configura desvio de finalidade (ou desvio de poder), que é um vício no elemento finalidade do ato administrativo e causa sua nulidade.
  • (C) Incorreta: A modalidade de abuso não é excesso de poder, como explicado na alternativa A. Embora haja um vício no motivo (o real motivo é a perseguição), o desvio de finalidade é caracterizado pelo vício na finalidade pública do ato, que é o objetivo que o ato deveria alcançar.
  • (D) Incorreta: A discricionariedade do administrador, mesmo na elaboração de escalas, não é absoluta e deve sempre visar ao interesse público. Usar o poder discricionário para fins pessoais ou para prejudicar alguém desvirtua o ato e o torna ilegal, passível de nulidade.
  • (E) Incorreta: A conduta do delegado é, sim, ilegal. O desvio de finalidade é uma forma de ilegalidade, pois o ato administrativo deve sempre buscar o interesse público. Um ato com vício na finalidade é nulo, não apenas imoral.

Fonte: FGV PCERJ 2021 Inspetor de Polícia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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