Questão nº 42
Questão de Gastroenterologia · FGV FHEMIG 2023 (nº 42)
Em relação às teorias sobre o mecanismo da tosse crônica em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico, analise os itens a seguir.
I. Segundo a teoria do refluxo, também conhecida como teoria do refluxo proximal ou microaspiração maior, a tosse seria decorrente das anormalidades estruturais e funcionais do esôfago inferior, que levariam ao refluxo do conteúdo gástrico.
II. Segundo a teoria do reflexo, a tosse crônica é decorrente do reflexo traqueobrônquico, mediado pelo nervo esôfago aferente distal.
III. Segundo a teoria da dismotilidade esofágica, os episódios de tosse crônica são decorrentes da motilidade esofágica ineficaz e de rupturas esofágicas maciças.
Está correto o que se afirma em
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CI e II, apenas.
- DII e III, apenas.
- EI, II e III. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A tosse crônica em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) pode ser explicada por diferentes mecanismos, que envolvem tanto a irritação direta das vias aéreas pelo conteúdo gástrico quanto reflexos nervosos.
- (A) Incorreta: A alternativa I está correta, mas não é a única.
- (B) Incorreta: A alternativa II está correta, mas não é a única.
- (C) Incorreta: As alternativas I e II estão corretas, mas a III também está.
- (D) Incorreta: As alternativas II e III estão corretas, mas a I também está.
- (E) Correta: Todas as afirmações estão corretas e representam as principais teorias que explicam a tosse crônica associada à DRGE.
- I. Teoria do refluxo (ou microaspiração): Esta teoria postula que o conteúdo gástrico (ácido, pepsina, bile) reflui até a faringe e laringe, podendo ser microaspirado para as vias aéreas (traqueia e brônquios). A presença dessas substâncias irritantes nas vias aéreas causa inflamação e estimula os receptores da tosse, levando ao sintoma. As anormalidades do esôfago inferior (como a disfunção do esfíncter esofágico inferior) são a causa primária do refluxo.
- II. Teoria do reflexo (esôfago-brônquico): Esta teoria sugere que o refluxo ácido no esôfago distal estimula receptores sensoriais (quimiorreceptores e mecanorreceptores) na mucosa esofágica. Esses receptores ativam um arco reflexo mediado pelo nervo vago (nervo esôfago aferente distal) que, por sua vez, leva à broncoconstrição e tosse, mesmo sem a aspiração direta do conteúdo gástrico para as vias aéreas.
- III. Teoria da dismotilidade esofágica: A dismotilidade esofágica, como a peristalse ineficaz, pode levar a um tempo de depuração esofágica prolongado, ou seja, o ácido permanece mais tempo em contato com a mucosa do esôfago. Isso intensifica a estimulação dos receptores esofágicos e pode exacerbar o reflexo esôfago-brônquico, contribuindo para a tosse crônica. Embora "rupturas esofágicas maciças" seja um termo forte e incomum para descrever um mecanismo direto de tosse crônica na DRGE (geralmente associado a perfurações graves), a dismotilidade esofágica ineficaz é um componente reconhecido que agrava o refluxo e, consequentemente, a tosse. A questão, ao incluir "motilidade esofágica ineficaz", aponta para o papel da disfunção esofágica na gênese da tosse.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Gastroenterologia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.