Questão nº 31
Questão de Gastroenterologia · FGV FHEMIG 2023 (nº 31)
Com relação à doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a alternativa verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A esteatohepatite é a forma progressiva da doença e eleva o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e do carcinoma hepatocelular (CHC).
( ) São fatores de risco para desenvolvimento da DHGNA o diabetes tipo 2, a síndrome metabólica e a obesidade.
( ) O fator determinante do prognóstico hepático são o grau de inflamação crônica do parênquima hepático e a gravidade das doenças associadas.
( ) O tratamento da esteatohepatite se baseia na mudança do estilo de vida, tratamento das doenças associadas e uso de fármacos, como a pioglitazona e a vitamina E.
( ) A esteatohepatite é a forma mais comum da doença e necessita de equipe multidisciplinar para seu tratamento.
As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
- AV – V – V – V – V.
- BF – F – F – F – V.
- CV – V – F – V – F. (alternativa correta)
- DF – V – F – V – V.
- EV – F – V – F – V.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é o acúmulo de gordura no fígado que não está relacionado ao consumo excessivo de álcool, sendo um problema crescente associado ao estilo de vida moderno.
(V) A esteatoepatite, uma inflamação do fígado associada ao acúmulo de gordura, é de fato a forma mais grave da DHGNA e aumenta significativamente o risco de complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado (carcinoma hepatocelular - CHC), além de estar fortemente ligada a doenças cardiovasculares.
(V) A DHGNA está intimamente ligada a condições metabólicas. Diabetes tipo 2, síndrome metabólica (um conjunto de fatores como obesidade abdominal, pressão alta, colesterol alterado e glicemia elevada) e obesidade são os pilares que sustentam o desenvolvimento dessa doença hepática.
(F) O prognóstico hepático na DHGNA não é determinado apenas pelo grau de inflamação e gravidade das doenças associadas. O grau de fibrose (cicatrização do fígado) é o fator mais crucial para prever a progressão para cirrose e suas complicações. A inflamação e as comorbidades são importantes, mas a fibrose é o marcador prognóstico mais direto. Armadilha da banca: A questão foca em "grau de inflamação" e "gravidade das doenças associadas", omitindo o fator fibrose, que é o determinante principal do prognóstico hepático na DHGNA.
(V) O tratamento da esteatoepatite é multifacetado. A mudança no estilo de vida (dieta saudável e exercícios físicos) é a base. Tratar as doenças associadas (como diabetes e dislipidemia) é fundamental. Fármacos como a pioglitazona (para diabetes) e a vitamina E (um antioxidante) têm demonstrado benefícios em estudos, sendo considerados opções terapêuticas em casos selecionados.
(F) A esteatoepatite é a forma progressiva e mais preocupante da DHGNA, mas não é necessariamente a "mais comum" em termos de prevalência geral da DHGNA. A esteatose simples (apenas gordura, sem inflamação significativa) é mais comum. No entanto, a esteatoepatite é a forma que necessita de acompanhamento e tratamento mais rigorosos, frequentemente exigindo uma equipe multidisciplinar (médico hepatologista, nutricionista, endocrinologista, etc.) para abordar todos os aspectos da doença e suas comorbidades. A afirmação é falsa porque a esteatoepatite não é a forma mais comum, embora seja a mais grave e necessite de equipe multidisciplinar.
(C) Correta: V – V – F – V – F.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Gastroenterologia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.