Questão nº 39
Questão de Farmácia Oncológica · FGV FHEMIG 2023 (nº 39)
Ao longo dos anos ocorreu um avanço na farmacoterapia do câncer, levando ao aumento da expectativa de vida dos pacientes. Assim, é necessário discutir a interação entre câncer e doenças cardiovasculares, uma vez que alguns fármacos, como a doxorrubicina, se mostram potencialmente cardiotóxicos.
Acerca da cardiotoxicidade gerada por alguns fármacos, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A cardiotoxicidade gerada por alguns quimioterápicos só é relevante em pacientes que recebem administração por via parenteral.
( ) A insuficiência cardíaca é uma condição rara e não está relacionada à cardiotoxicidade gerada por alguns quimioterápicos em pacientes com doenças oncológicas.
( ) O paciente diagnosticado com insuficiência cardíaca ocasionada a partir do tratamento oncológico, deve suspender a terapia, a fim de levar a uma reversão da cardiotoxicidade.
As afirmativas são, respectivamente,
- AF – F – F. (alternativa correta)
- BF – F – V.
- CF – V – V.
- DV – F – F.
- EV – V – V.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Conceito-chave: A cardiotoxicidade de quimioterápicos como a doxorrubicina independe da via de administração (oral ou parenteral), pode levar à insuficiência cardíaca (condição grave e conhecida nesse contexto) e, quando ocorre, não se trata simplesmente de suspender o tratamento oncológico — a decisão é complexa, envolve cardioproteção, ajuste de doses e avaliação risco-benefício, pois suspender a terapia pode ser mais letal que a própria cardiotoxicidade.
- (A) Correta: O gabarito é F – F – F. A primeira é falsa porque a cardiotoxicidade ocorre por mecanismo sistêmico (ex.: estresse oxidativo), independente da via; a segunda é falsa porque a insuficiência cardíaca é uma complicação bem documentada e não rara em pacientes oncológicos tratados com antraciclinas; a terceira é falsa porque a conduta padrão não é suspender abruptamente a terapia, mas sim manejar a cardiotoxicidade com cardioprotetores (ex.: dexrazoxano), monitorização e, só em casos graves, avaliar a troca ou pausa do esquema — sempre ponderando o prognóstico oncológico.
- (B) Incorreta: A armadilha da banca aqui é o aluno achar que "suspender a terapia" é a conduta óbvia para reverter a cardiotoxicidade; na prática, a suspensão pode comprometer o controle do câncer, e a reversão não é garantida — por isso a terceira afirmativa é falsa, tornando a sequência F-F-V incorreta.
- (C) Incorreta: A pegadinha é considerar a insuficiência cardíaca como "rara" (segunda afirmativa), o que é um erro grave de farmacovigilância; a cardiotoxicidade é um efeito adverso esperado e monitorado em protocolos com antraciclinas, então a segunda afirmativa é falsa — logo, F-V-V não fecha.
- (D) Incorreta: O distrator mais tentador é marcar V na primeira afirmativa, pois muitos associam quimioterapia a infusão intravenosa; porém, a cardiotoxicidade é uma propriedade farmacológica do fármaco (ex.: doxorrubicina oral ou IV), não da via de administração — a primeira é falsa, então V-F-F está errado.
- (E) Incorreta: Essa alternativa só seria correta se todas as três afirmativas fossem verdadeiras, mas todas são falsas; a banca usa o "tudo V" como isca para quem não domina o manejo clínico (suspender terapia não é a primeira conduta) e a epidemiologia (insuficiência cardíaca não é rara nesse cenário).
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Farmacêutico Oncologista (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.