Questão nº 60

Questão de Governança Corporativa · FGV EPE 2024 (nº 60)

FGV2024Analista de Gestão Corporativa - Governança CorporativaGovernança Corporativa
Gabarito: Ever comentário ↓

Leia o fragmento a seguir.
Temos assistido, diariamente, no cenário jurídico e no noticiário nacional, a infindáveis publicações sobre escândalos de corrupção, delações premiadas e acordos de leniência, condenações e prisões de gestores públicos e executivos de grandes entidades e corporações, principalmente, após a deflagração da Operação "Lava Jato" e os mais de 50 desdobramentos que a sucederam. Diante de todo esse contexto, ainda, verificamos instituições públicas e privadas que não adotam práticas de compliance em suas atividades ou que, ainda que possuam um código de conduta e políticas de integridade, não contam com quaisquer processos, áreas ou comitês sobre o tema e que acreditam que a simples formalização de documentos é suficiente para a redução de eventuais sanções previstas na Lei Anticorrupção.
A Lei nº 13.303/2016 (Lei das Estatais) reforça a importância do tema e estabelece a exigência de regras de governança corporativa e práticas de compliance nas atividades de empresas públicas e sociedades de economia mista, as quais refletirão não apenas em seus processos internos, mas também, em suas contratações e relacionamentos com o público externo (fornecedores, terceiros, agentes públicos etc.).
Considerando o texto e o disposto na Lei Federal n.º 13.303/2016 e no Decreto Federal n.º 8.945/2016, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016) e o Decreto nº 8.945/2016 visam fortalecer a governança e o compliance nas empresas estatais, exigindo a implementação de práticas de integridade e gestão de riscos para prevenir corrupção e garantir a transparência e a eficiência.

(A) Incorreta: A área de integridade pode se reportar ao Diretor-Presidente, mas não deverá ser vinculada diretamente a ele como única opção, pois também pode se reportar ao Conselho de Administração. Além disso, a lei e o decreto não proíbem a condução por outro diretor estatutário, desde que a independência seja assegurada. A principal armadilha aqui é a restrição e a obrigatoriedade de vinculação ao Diretor-Presidente, sem mencionar a crucial independência e o acesso direto ao Conselho de Administração em casos específicos.
(B) Incorreta: A Lei das Estatais (Art. 43) permite que as empresas estatais utilizem a arbitragem para solução de conflitos, inclusive entre acionistas, desde que o estatuto social preveja e que a controvérsia seja sobre direitos patrimoniais disponíveis. Portanto, a afirmativa de que é "vedada" está incorreta.
(C) Incorreta: Embora o estatuto social deva constituir um Comitê de Auditoria Estatutário (CAE), o Decreto nº 8.945/2016 (Art. 59, § 2º) permite, excepcionalmente, que o CAE seja único para a empresa estatal controladora e suas subsidiárias, sob certas condições. Assim, não é "obrigatória constituição específica em cada sociedade, inclusive em cada subsidiária".
(D) Incorreta: A supervisão ministerial sobre as empresas estatais visa garantir o alinhamento com as políticas públicas e o interesse coletivo, mas não autoriza a supressão da autonomia conferida por lei. A Lei das Estatais busca justamente profissionalizar a gestão e reduzir a interferência política indevida, preservando a autonomia operacional dentro de um arcabouço de governança.
(E) Correta: Conforme o Decreto nº 8.945/2016 (Art. 13, § 1º, II), se a área de integridade se reportar ao Diretor-Presidente, ela deve ter "acesso direto ao conselho de administração em situações em que se suspeite do envolvimento do diretor-presidente em irregularidades". A menção ao Conselho de Administração da controladora é uma extensão lógica para garantir a supervisão em estruturas de grupo.

Fonte: FGV EPE 2024 Analista de Gestão Corporativa - Governança Corporativa (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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