Questão nº 13

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT7 2024 (nº 13)

FCC2024Técnico Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

[Vida a compartilhar]

Um jovem amigo meu é uma pessoa exasperada e deprimida. Na semana passada, ele foi atraído por uma história edificante. Uma escola americana dedicara um anfiteatro a uma professora de escola fundamental que, depois de uma longa carreira de ensino, foi paralisada por uma distrofia muscular, e seguiu ensinando. Quando perdeu a voz, passou a ensinar surdos-mudos. Na reportagem, ela estranhava a atenção e os elogios: era uma mulher em paz consigo mesma e com o mundo, sem furores caritativos ou vocações martirológicas. Sua vida parecia simplesmente normal.

Meu jovem amigo comentou que, se estivesse no lugar dela, já teria acabado com sua própria vida. Essa ideia, concordei, passaria por qualquer cabeça. Mas por que a professora não foi por esse caminho? O insuportável numa doença como essa, afirmou então meu interlocutor, são os limites, as impotências.

Observei-lhe então que há uma infinidade de coisas que não conseguimos fazer. Afinal, não sei voar, nem ficar por respirar mais que dois minutos. Com paciência condescendente, meu amigo explicou que essas são coisas que ninguém, ou quase ninguém, consegue fazer. O que dói, acrescentou, é não conseguir fazer as coisas que os outros conseguem. E declarou que, se tivesse uma invalidez grave, talvez pudesse seguir vivendo, mas só entre pessoas tão inválidas quanto ele. Conclusão da conversa: o problema não é a invalidez, o problema são os outros. Melhor dizendo, a necessidade de se comparar aos outros.

De todo modo, ficamos sem apurar que tipo de energia animava aquela prejudicada professora, excepcionalmente apta e disposta a só compartilhar o que tinha de positivo.

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 70-71)


No contexto do 1º parágrafo, ao afirmar que a professora era uma mulher em paz consigo mesma e com o mundo, sem furores caritativos ou vocações martirológicas, o autor faz-nos depreender que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A inferência é a habilidade de deduzir informações que não estão explicitamente escritas no texto, mas que podem ser concluídas a partir das pistas e ideias apresentadas. É como ler nas entrelinhas, usando o que está dito para entender o que está subentendido.

  • (A) Incorreta: A alternativa contradiz o texto, pois a professora não buscava recompensa ou reconhecimento, estranhando os elogios.
  • (B) Correta: A frase "sem furores caritativos ou vocações martirológicas" sugere que a paz da professora não vinha de demonstrações exageradas de caridade (furores) ou de um desejo de sofrer para ser glorificada (vocações martirológicas), mas sim de um desprendimento genuíno. Isso implica que alguns gestos que parecem virtuosos podem, na verdade, vir de motivações menos puras ou "alteradas", em contraste com a simplicidade e sinceridade da professora.
  • (C) Incorreta: Não há no texto a inferência de que essas características indicam falta de autoimportância; pelo contrário, podem sugerir uma busca por validação externa.
  • (D) Incorreta: O texto vai na direção oposta, mostrando que a virtude da professora era natural e não dependia da magnitude do sofrimento ou de um sacrifício buscado.
  • (E) Incorreta: Embora a ânsia de parecer caridoso possa ser um problema, a alternativa estabelece uma relação causal e uma definição de "defeito" que não é diretamente inferível do texto. A frase apenas nega a presença dessas características na professora.

Fonte: FCC TRT7 2024 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.

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