Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT7 2024 (nº 5)

FCC2024Técnico Judiciário - Área AdministrativaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Um diálogo instrutivo

Muitos entusiastas da Inteligência Artificial (IA) continuam a insistir na venda da utopia de que as máquinas digitais não só serão capazes de simular a inteligência humana como, eventualmente, poderão superar a todos nós no nosso próprio jogo, o jogo de pensar, se comportar e viver como seres humanos. Costumo, nas minhas aulas, utilizar um diálogo hipotético entre um neurocientista (N) e um pesquisador da área de inteligência artificial (PIA) para ilustrar o abismo que separa aqueles que, como eu, acreditam ser bem-vindo o uso da tecnologia para promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas e aqueles que trabalham apenas com o objetivo de concretizar uma distopia. Eis aqui um momento desse diálogo:

N — Como você programaria o conceito de beleza em uma máquina da IA?

PIA — Defina um conceito de beleza para mim e eu posso programá-lo.

N — Esse é o problema central. Eu não posso definir beleza — você também não pode, tampouco outro ser humano que jamais viveu e experimentou a sensação de deparar-se com a beleza.

PIA — Se você não pode defini-la de forma precisa, não posso programá-la, ela simplesmente não interessa. Ela não existe. E, como cientista computacional, não me importo com ela.

N — A sua mãe ou sua filha são bonitas?

PIA — Sim, elas são.

N — E você pode definir por quê?

PIA — Não, eu não posso. Não posso programar a minha experiência subjetiva e pessoal no meu computador. Portanto, ela não existe nem significa nada do ponto de vista científico.

N — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?

PIA — Basicamente, sim! Você entendeu o meu ponto de vista.

Assustador como esse diálogo pode soar, quando milhões de pessoas vivendo nestes tempos modernos já decidiram que qualquer coisa que uma máquina não possa fazer é irrelevante para a humanidade.

(Adaptado de NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, p. 163-164)


As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Concordância verbal é a regra gramatical que exige que o verbo se adapte em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) ao seu sujeito. Se o sujeito é singular, o verbo fica no singular; se o sujeito é plural, o verbo fica no plural.

(A) Incorreta: O sujeito da oração é "quem julga absoluto o poder dela" (singular). O verbo "costumam" deveria estar no singular para concordar com "quem". O correto seria "Não costuma distinguir limites...".
(B) Correta: O sujeito do verbo "interessa" é a oração subordinada substantiva subjetiva "avaliar a experiência que os arrebata". Orações subordinadas substantivas subjetivas funcionam como sujeito e exigem o verbo no singular (3ª pessoa). Portanto, "interessa" está corretamente no singular.
(C) Incorreta: O sujeito do verbo "Resiste" é "experiências estéticas que julgamos compreender" (plural). O verbo deveria estar no plural para concordar com o sujeito. O correto seria "Resistem à definição do conceito de beleza experiências estéticas...". A armadilha aqui é a inversão da ordem, com o sujeito vindo depois do verbo, e a proximidade com "definição" (singular), que não é o sujeito.
(D) Incorreta: Há duas incorreções. Primeiro, o sujeito de "convêm" é a oração "arriscar-se numa definição" (singular), então o verbo deveria ser "convém". Segundo, o pronome relativo "que" refere-se a "definição" (singular), então o verbo "põem" deveria ser "põe". O correto seria "Não convém aos debatedores arriscar-se numa definição que se põe fora de seu alcance."
(E) Incorreta: O núcleo do sujeito é "quantificação" (singular). O verbo "mostram-se" deveria estar no singular para concordar com o núcleo do sujeito. O correto seria "A quantificação de nossas sensações íntimas mostra-se insuficiente...".

Fonte: FCC TRT7 2024 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.

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