Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT7 2024 (nº 11)
A noção de férias está ligada a figuras de viagem, esporte, aplicações intensivas do corpo, quase nada a descanso. As pessoas executam durante esse intervalo aquilo que não puderam fazer ao longo do ano; fazem "mais" alguma coisa, de sorte que não há férias, no sentido religioso e romano de suspensão de atividades.
Matutando nisso, resolvi tirar férias e gozá-las como devem ser gozadas, sem esforço para torná-las amenas. A ideia de viagem foi expulsa do programa: é das iniciativas mais comprometedoras e tresloucadas que poderia tomar o trabalhador vacante. As viagens ou não existem, como é próprio da era do jato, em que somos transportados em velocidade superior à do nosso poder de percepção e de ruminação de impressões, ou existem demais como burocracia de passaporte, filas, falta de vaga em hotel, atrasos, moeda avitada, alfândega, pneu estourado no ermo, que mais?
Tudo aboli e fiz a experiência das férias propriamente ditas. Se me pedirem para contar o que fiz afinal nestas férias, direi lealmente: ignoro. Aos convites disse não, alegando estar em férias, alegação tão forte como a de estar ocupadíssimo. Durante esse período, o pensamento errou entre mil paragens, não se deteve em nenhuma; cada dia amadureceu e caiu como um fruto. Nada aconteceu? O não acontecimento é a essência das férias. E agora, é trabalhar duro onze meses para merecer as inofensivas e deliciosas férias do não.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Cadeira de balanço. 22ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 69-71)
É plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:
- AHá quem imagine que, tirar férias, seja submeter-se, a um sem-número de outras atividades.
- BÉ trabalhar duro, agora, para merecer, de fato, as futuras e deliciosas férias do não. (alternativa correta)
- CA certa altura diz, o cronista, que nada acontecer é um meio sim, de definir as férias.
- DEle alegou: que estava em férias, por isso não podendo atender, a tantos convites.
- ETalvez fosse melhor, em vez de férias comuns fazer um retiro, evitando sobressaltos?
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A pontuação, especialmente o uso da vírgula, serve para organizar a frase, indicar pausas e clarear o sentido, seguindo regras gramaticais específicas. Em geral, a vírgula não deve separar o sujeito do verbo, o verbo do seu complemento (objeto direto ou indireto) ou um nome do seu complemento. No entanto, ela é usada para isolar elementos intercalados (como adjuntos adverbiais), vocativos, apostos, e para separar orações coordenadas ou subordinadas específicas.
(A) Incorreta: A vírgula após "que" em "que, tirar férias," está incorreta, pois não se separa a conjunção do sujeito da oração subordinada. A vírgula antes de "a um sem-número" também está incorreta, pois separa o verbo "submeter-se" de seu complemento indireto.
(B) Correta: As vírgulas estão corretamente empregadas para isolar os adjuntos adverbiais de curta extensão ("agora" e "de fato") que estão intercalados na frase, sem prejudicar a clareza ou a estrutura sintática.
(C) Incorreta: A vírgula após "diz" em "diz, o cronista," está incorreta, pois separa o verbo de seu sujeito ("o cronista"), mesmo que este esteja posposto. A vírgula após "sim" também é inadequada, pois "sim" faz parte da expressão "um meio sim de definir".
(D) Incorreta: O uso dos dois-pontos após "alegou" está incorreto, pois a oração "que estava em férias" é o objeto direto do verbo "alegar", não uma citação ou enumeração. A vírgula antes de "a tantos convites" está incorreta, pois separa o verbo "atender" de seu complemento indireto.
(E) Incorreta: A vírgula após "melhor" em "melhor, em vez de férias comuns" está incorreta, pois separa o adjetivo do complemento que o modifica. A vírgula antes de "evitando sobressaltos" também é inadequada, pois a oração de gerúndio funciona como adjunto adverbial e não exige separação por vírgula nesse contexto.
Fonte: FCC TRT7 2024 Conhecimentos Comuns (Analista TRT7 2024) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.