Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT7 2024 (nº 5)
Numa crônica antiga, intitulada "A rotina e a quimera", Carlos Drummond de Andrade considerava o fato de que grandes escritores brasileiros, a começar por Machado de Assis, eram também funcionários públicos. Na lista numerosa, Drummond não incluiu a si mesmo, funcionário que foi de mais de um órgão público. A "rotina" do funcionário, outrora cercado de blocos de papéis, lápis e canetas, muitas vezes levava-o à "quimera", ao universo da ficção e à imaginação criativa.
Mas há também funcionários cuja quimera é, na verdade, a pesquisa histórica. Valem-se de seu talento e de sua disposição para investigar a origem de nomes, de lugares, de fatos primordiais. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Eliézer Rodrigues, veterano assessor de imprensa da Justiça do Trabalho do Ceará. Dedicou-se a pesquisar dados e a escrever um livro - "Praça José de Alencar - Tempos e viventes". Já de si, o título indica o âmbito do livro.
O jornalista escritor resgata os primórdios dessa praça de Fortaleza, quando ainda se chamava Praça do Patrocínio, e aborda os principais acontecimentos que envolveram as edificações e pessoas que já habitaram seu entorno. O prédio da Fênix Caixeiral, a Igreja do Patrocínio, a Escola de Comércio, o Centro Médico, o Instituto de Patrimônio Histórico, o Lord Hotel, o INSS, a Associação Cearense de Imprensa e a 1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Fortaleza são algumas das instituições retratadas na obra.
É importante haver cronistas desse porte para que a história de um lugar e de seus personagens se mantenha viva. Políticos, militares, empresários, intelectuais, artistas, músicos, juristas, celebridades, médicos, comerciantes e cidadãos comuns são alguns dos personagens reais que envolvem as tramas retratadas. Até mesmo uma cigana e um fantasma protagonizam causos curiosos.
Vê-se que a "quimera" desse escritor cearense está ancorada em impressões, fatos e pessoas que ele não quis deixar esquecer. É mais que um momento da rotina: é um momento da memória pessoal e social dedicado ao lugar de afeto e de interesse público, a que dá a força de uma permanência temporal.
(SÁ, Herculano Pérez de. Com apoio na página eletrônica https://www.trt7.jus.br. Adaptado)
Expressa-se com correção e coerência uma informação do texto em:
- AA rotina do funcionário público leva, sempre e necessariamente, a quimera de uma expressão literária.
- BMuitas vezes couberam a alguns funcionários públicos ocuparem os intervalos de seu tempo com a criação literária.
- CCercavam-se de papéis, lápis e canetas quem, nos escritórios, viam nesses instrumentos estímulos para a literatura.
- DFoi para resgatarem os primórdios daquela praça que o funcionário do tribunal lançou-se às pesquisas que teve tanto empenho seu.
- EÉ preciso que haja cronistas empenhados na reconstituição de fatos históricos que, sem seu trabalho, se apagariam no tempo. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Coesão é a ligação entre as partes do texto, usando palavras e estruturas gramaticais para conectar ideias. Coerência é a lógica e o sentido do texto, garantindo que as informações se encaixem e não se contradigam, mantendo o significado original. Uma reescrita correta preserva o sentido e a correção gramatical do trecho original.
- (A) Incorreta: A alternativa usa "sempre e necessariamente", o que contradiz o "muitas vezes" do texto original, além de generalizar a "quimera" apenas para a expressão literária, quando o texto também menciona a pesquisa histórica.
- (B) Incorreta: A construção "couberam a alguns funcionários públicos ocuparem" é gramaticalmente deselegante e redundante, prejudicando a correção e a fluidez da frase.
- (C) Incorreta: Há um erro de concordância ("quem... viam" deveria ser "quem... via" ou "os que... viam") e a frase altera a relação causal do texto, que indica que a rotina levava à quimera, e não que os instrumentos eram os estímulos diretos para a literatura.
- (D) Incorreta: A concordância está errada ("resgatarem" no plural para "o funcionário" no singular) e a expressão "que teve tanto empenho seu" é gramaticalmente desajeitada.
- (E) Correta: Esta alternativa reescreve o trecho "É importante haver cronistas desse porte para que a história de um lugar e de seus personagens se mantenha viva" de forma correta e coerente. "É preciso que haja" é sinônimo de "É importante haver"; "cronistas empenhados na reconstituição de fatos históricos" reflete "cronistas desse porte" e o foco do texto; e "que, sem seu trabalho, se apagariam no tempo" expressa a mesma ideia de "para que a história... se mantenha viva".
Fonte: FCC TRT7 2024 Conhecimentos Comuns (Analista TRT7 2024) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.