Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT7 2024 (nº 6)
Numa crônica antiga, intitulada "A rotina e a quimera", Carlos Drummond de Andrade considerava o fato de que grandes escritores brasileiros, a começar por Machado de Assis, eram também funcionários públicos. Na lista numerosa, Drummond não incluiu a si mesmo, funcionário que foi de mais de um órgão público. A "rotina" do funcionário, outrora cercado de blocos de papéis, lápis e canetas, muitas vezes levava-o à "quimera", ao universo da ficção e à imaginação criativa.
Mas há também funcionários cuja quimera é, na verdade, a pesquisa histórica. Valem-se de seu talento e de sua disposição para investigar a origem de nomes, de lugares, de fatos primordiais. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Eliézer Rodrigues, veterano assessor de imprensa da Justiça do Trabalho do Ceará. Dedicou-se a pesquisar dados e a escrever um livro - "Praça José de Alencar - Tempos e viventes". Já de si, o título indica o âmbito do livro.
O jornalista escritor resgata os primórdios dessa praça de Fortaleza, quando ainda se chamava Praça do Patrocínio, e aborda os principais acontecimentos que envolveram as edificações e pessoas que já habitaram seu entorno. O prédio da Fênix Caixeiral, a Igreja do Patrocínio, a Escola de Comércio, o Centro Médico, o Instituto de Patrimônio Histórico, o Lord Hotel, o INSS, a Associação Cearense de Imprensa e a 1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Fortaleza são algumas das instituições retratadas na obra.
É importante haver cronistas desse porte para que a história de um lugar e de seus personagens se mantenha viva. Políticos, militares, empresários, intelectuais, artistas, músicos, juristas, celebridades, médicos, comerciantes e cidadãos comuns são alguns dos personagens reais que envolvem as tramas retratadas. Até mesmo uma cigana e um fantasma protagonizam causos curiosos.
Vê-se que a "quimera" desse escritor cearense está ancorada em impressões, fatos e pessoas que ele não quis deixar esquecer. É mais que um momento da rotina: é um momento da memória pessoal e social dedicado ao lugar de afeto e de interesse público, a que dá a força de uma permanência temporal.
(SÁ, Herculano Pérez de. Com apoio na página eletrônica https://www.trt7.jus.br. Adaptado)
É importante que haja cronistas aplicados em pesquisas, para que fatos, lugares e personagens de outros tempos se mantenham vivos.
Em nova redação, a frase acima permanecerá correta e coerente caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
- ATerá sido - tivessem havido - manterão
- BSeja - houvesse - mantivessem (alternativa correta)
- CSerá - hajam - manterem
- DFoi - houvessem - mantessem
- ETeria sido - tenham havido - manteriam
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é a concordância verbal e a correlação dos tempos e modos verbais, especialmente entre a oração principal e as orações subordinadas. A escolha do modo (indicativo, subjuntivo) e do tempo verbal depende da relação de sentido (certeza, desejo, hipótese, finalidade) e do momento em que as ações ocorrem. O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e deve ser usado sempre na 3ª pessoa do singular.
(A) Incorreta: "tivessem havido" está incorreto porque o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e deve ser conjugado apenas na 3ª pessoa do singular (ex: "tivesse havido"). Além disso, a combinação de tempos verbais ("Terá sido" - futuro perfeito do indicativo, "tivessem havido" - pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo, "manterão" - futuro do presente do indicativo) não forma uma sequência coerente.
(B) Correta: A sequência "Seja importante que houvesse cronistas... para que se mantivessem vivos" é gramaticalmente correta e coerente. "Seja" (presente do subjuntivo) expressa um desejo ou uma condição; "houvesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) é a forma correta e impessoal de "haver" no sentido de "existir", indicando uma hipótese ou desejo no passado/presente; e "mantivessem" (pretérito imperfeito do subjuntivo) mantém a coerência temporal e modal com "houvesse", expressando a finalidade daquela hipótese.
(C) Incorreta: "hajam" está incorreto porque o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e deve ser conjugado apenas na 3ª pessoa do singular (ex: "haja"). "Para que se manterem" também está incorreto; o "que" exige um verbo conjugado no subjuntivo ("para que se mantenham") ou a preposição "para" seria seguida apenas do infinitivo ("para se manterem").
(D) Incorreta: "houvessem" está incorreto porque o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e deve ser conjugado apenas na 3ª pessoa do singular (ex: "houvesse"). A armadilha aqui é que, se fosse "houvesse", a sequência "Foi importante que houvesse cronistas... para que se mantivessem vivos" seria coerente (pretérito perfeito do indicativo + pretérito imperfeito do subjuntivo + pretérito imperfeito do subjuntivo), mas a forma plural de "haver" a invalida.
(E) Incorreta: "tenham havido" está incorreto porque o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e deve ser conjugado apenas na 3ª pessoa do singular (ex: "tenha havido"). A combinação de tempos verbais ("Teria sido" - futuro do pretérito composto, "tenham havido" - pretérito perfeito do subjuntivo, "manteriam" - futuro do pretérito do indicativo) também não forma uma sequência coerente.
Fonte: FCC TRT7 2024 Conhecimentos Comuns (Analista TRT7 2024) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.