Questão nº 64
Questão de História · FCC TRT2 2018 (nº 64)
A despeito da heterogeneidade das posições pessoais, os intelectuais que integravam o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), criado em 14 de julho de 1955, convergiam na convicção de que, por meio do debate e do confronto das ideias, seria possível formular um projeto ideológico comum para o Brasil. O nacional-desenvolvimentismo foi então concebido como essa ideologia-síntese capaz de levar o país - por meio da ação estatal (planejamento e investimento público) − à superação do atraso econômico-social e da alienação cultural. Essa frente político-ideológica, que convergia na defesa do nacional-desenvolvimentismo, enfrentou um abalo decisivo após dois anos e meio da fundação do instituto, inaugurando nova fase, cuja direção intelectual, nas mãos do filósofo Vieira Pinto e do historiador Nelson Werneck Sodré, privilegiou o debate das mudanças sociais e econômicas, mais tarde defendidas pelo governo Goulart.
(Artigo de Caio Navarro de Toledo publicado na Folha de S. Paulo em 14 jul. 2005 − texto adaptado)
O projeto que então prevaleceu
- Aimplicava a aceitação de investimentos de capital estrangeiro.
- Bteve aceitação plena no governo Juscelino Kubitschek (1956-1961).
- Cprevia aliança com a burguesia latifundiária mercantil.
- Dnão foi apoiado por partidos de esquerda.
- Esupunha uma liderança política representada pela burguesia industrial nacional. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O conceito-chave é que o nacional-desenvolvimentismo do ISEB, em sua fase inicial, acreditava que a burguesia industrial nacional seria a protagonista da revolução capitalista no Brasil, pois ela teria interesse em romper com o atraso e com o imperialismo. A "pegadinha" está em confundir essa tese com a defesa do capital estrangeiro ou com o governo JK, quando na verdade o ISEB criticava a associação subordinada ao capital externo e via o Estado como indutor, mas com a liderança política da burguesia local.
- (A) Incorreta: O projeto inicial do ISEB era contrário à associação subordinada ao capital estrangeiro, pois via nisso uma forma de perpetuar o subdesenvolvimento e a alienação cultural.
- (B) Incorreta: O governo JK (1956-1961) foi marcado pelo desenvolvimentismo associado ao capital internacional (como na indústria automobilística), o que conflitava com a vertente nacionalista do ISEB, que criticava essa abertura.
- (C) Incorreta: O ISEB via a burguesia latifundiária mercantil (ligada à exportação de produtos primários) como um setor arcaico e aliado do imperialismo, não como parceira estratégica para a superação do atraso.
- (D) Incorreta: O projeto nacional-desenvolvimentista do ISEB, especialmente na fase de Vieira Pinto e Werneck Sodré, dialogava e influenciava partidos e movimentos de esquerda, que viam na reforma nacional um caminho para o socialismo.
- (E) Correta: A tese central da primeira fase do ISEB era que a burguesia industrial nacional seria a classe capaz de liderar a revolução burguesa no Brasil, rompendo com o latifúndio e com o capital estrangeiro, com o Estado atuando como seu instrumento de planejamento.
Fonte: FCC TRT2 2018 Analista Judiciário - Apoio Especializado - Especialidade História (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.