Questão nº 53
Questão de História · FCC TRT2 2018 (nº 53)
Em seu conhecido artigo publicado em 1992 sobre a relação entre história e memória (A história, cativa da memória?), Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses rejeita o senso comum que associa a memória a mecanismo de registro e retenção de informações. Para o autor,
- Aa história confunde-se com a memória, pois ambas são operações ideológicas e processos psicossociais de representação do mundo.
- Ba memória está enraizada no passado, e seu legado, na contemporaneidade, é representado pelas instituições de custódia de documentos, como os museus, arquivos e organismos congêneres.
- Ca memória nacional é a somatória das memórias de diferentes grupos que, em razão de seus frágeis laços de coesão interna, acabam por se integrar à grande comunidade da nação.
- Duma espécie de militância da memória como bandeira política tem estimulado movimentos sociais e mobilizado historiadores em torno de certas práticas, a exemplo da chamada história oral. (alternativa correta)
- Ea amnésia social é fruto da queima sistemática de arquivos e do descaso a que são relegados os bens culturais e o patrimônio histórico de determinado país.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O conceito-chave é que Ulpiano Bezerra de Meneses critica a ideia de memória como um "depósito" passivo de informações. Para ele, a memória é uma operação ativa e seletiva do presente, que constrói o passado conforme as necessidades e disputas atuais. Por isso, quando a memória vira "bandeira política", ela deixa de ser registro fiel e passa a ser um instrumento de luta social, mobilizando grupos e práticas como a história oral.
- (A) Incorreta: O autor não diz que história e memória se confundem; ele as distingue, afirmando que a história é uma operação crítica e metódica, enquanto a memória é uma operação social e seletiva, frequentemente ideológica.
- (B) Incorreta: A armadilha aqui é o senso comum que o autor combate: reduzir a memória a "instituições de custódia" (museus, arquivos) é justamente tratá-la como registro material, o oposto da visão crítica de Meneses.
- (C) Incorreta: Essa é a visão tradicional de "memória nacional" como soma harmônica de grupos, que o autor rejeita, pois ele vê a memória como campo de conflitos e disputas, não de integração pacífica.
- (D) Correta: O autor aponta que a "militância da memória" (usar o passado como arma política no presente) é um fenômeno contemporâneo que estimula movimentos sociais e práticas como a história oral, que dão voz a grupos silenciados, confirmando o caráter ativo e político da memória.
- (E) Incorreta: A "amnésia social" não é vista por Meneses como simples resultado de queima de arquivos ou descaso material; ela é um processo social e político de esquecimento seletivo, não um mero acidente de gestão patrimonial.
Fonte: FCC TRT2 2018 Analista Judiciário - Apoio Especializado - Especialidade História (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.