Questão nº 63
Questão de História · FCC TRT2 2018 (nº 63)
A 'Revolução de 1930' tornou-se marco periodizador da história republicana brasileira, rompendo com a 'República Velha', denominação pejorativa, forjada e imposta pelos protagonistas vencedores, que se julgavam portadores de um novo tempo. Tais protagonistas buscaram ampliar o significado da Revolução, numa perspectiva que visava ultrapassar a mera disputa pelo poder político entre grupos oligárquicos. Por exemplo, em discurso de 23 de fevereiro de 1931, Vargas ressaltava: Precisamos convir que a obra da Revolução, além de ser vasta obra de transformação social, política e econômica, é, também, nacionalista no bom sentido do termo.
(Adaptado de: LUCA, Tânia Regina de. Verbete no Dicionário de datas da história do Brasil. São Paulo: Contexto, 2007)
Essa versão, apresentando o movimento vitorioso em 1930 como marco inaugural de uma nova etapa no quadro das relações econômicas, sociais e políticas no Brasil, é contestada nas interpretações de autores como
- AAzevedo Amaral e Paula Beiguelman.
- BFrancisco Weffort e Nelson Werneck Sodré.
- CBoris Fausto e Francisco Weffort. (alternativa correta)
- DCaio Prado Júnior e Manuel Correia de Andrade.
- EEdgar de Decca e Nelson Werneck Sodré.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave é que a Revolução de 1930 foi interpretada pelos vencedores como um marco de ruptura total com o passado (a "República Velha"), criando uma nova era. A historiografia crítica, porém, questiona essa visão "inaugural", mostrando que houve mais continuidades do que rupturas, ou seja, as velhas oligarquias e estruturas de poder não desapareceram de uma hora para outra. A banca quer que você identifique os autores que fazem essa revisão crítica do marco, não os que o defendem ou que focam em outros aspectos.
- (A) Incorreta: Azevedo Amaral e Paula Beiguelman são autores mais ligados à justificativa ideológica do Estado Novo e à análise da política paulista, respectivamente, não à contestação do caráter inaugural da Revolução de 1930.
- (B) Incorreta: Francisco Weffort é um dos corretos, mas Nelson Werneck Sodré, embora crítico, interpreta 1930 como parte de um processo de reorganização capitalista e de luta de classes, não exatamente como um "marco zero" que precisa ser desconstruído na mesma chave que os outros.
- (C) Correta: Boris Fausto e Francisco Weffort são os clássicos da revisão. Fausto, em A Revolução de 1930, mostra que o movimento foi uma recomposição das elites e não uma ruptura com o poder oligárquico. Weffort, em O Populismo na Política Brasileira, argumenta que 1930 não inaugura uma nova ordem, mas sim um Estado de compromisso entre as frações da classe dominante (café, indústria, etc.), mantendo a estrutura agrária e o controle social. Eles desmontam a visão "heroica" e "inaugural" dos vencedores.
- (D) Incorreta: Caio Prado Júnior e Manuel Correia de Andrade são importantes, mas focam na formação econômica e na questão agrária/regional, não na crítica específica ao caráter periodizador e inaugural da Revolução de 1930 como os autores da letra C.
- (E) Incorreta: Edgar de Decca é um crítico importante (fala da "construção" do mito), mas Nelson Werneck Sodré, como dito, tem uma leitura mais ligada à história econômica e social de longa duração, não sendo o par clássico que a banca espera para essa contestação específica do "marco inaugural".
Armadilha da banca: A pegadinha está na letra B e na E. O aluno vê "Nelson Werneck Sodré" e pensa: "é crítico, então está certo". Mas a banca quer o par específico que ficou consagrado na historiografia pela revisão do caráter inaugural e pela tese do "Estado de compromisso" e da "recomposição das elites": Fausto e Weffort. A presença de Sodré serve para confundir, pois ele é crítico, mas sua crítica é de outra natureza (marxista ortodoxa, focada no capitalismo), não a que questiona o "mito de origem" da Revolução.
Fonte: FCC TRT2 2018 Analista Judiciário - Apoio Especializado - Especialidade História (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.