Questão nº 54
Questão de História · FCC TRT2 2018 (nº 54)
Em Apologia da história, depois de afirmar que o modelo das ciências da natureza não se aplica à história, Marc Bloch discorre sobre a especificidade da ciência dos homens no tempo e defende a ideia de que cabe ao historiador
- Arender-se à evidência dos documentos, submetendo-os às críticas interna e externa.
- Bdescrever, o mais fielmente possível, os acontecimentos do passado.
- Cformular perguntas aos documentos e forçá-los a dar respostas. (alternativa correta)
- Disolar o tempo presente de seu universo de preocupações e referências.
- Eeximir-se de interpretar os vestígios do passado, evitando toda e qualquer subjetividade.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: Para Marc Bloch, o historiador não é um “colecionador de fatos” nem um espelho do passado. Ele é um investigador ativo: os documentos não falam por si, eles só respondem quando o historiador lhes faz perguntas bem formuladas. É o historiador quem interroga o passado a partir das questões do presente.
- (A) Incorreta: Render-se à evidência dos documentos é passividade; Bloch critica a ideia de que o documento é uma prova “pronta”. A crítica interna/externa é necessária, mas só faz sentido se houver uma pergunta orientando a análise.
- (B) Incorreta: Descrever fielmente os acontecimentos é a ilusão do “historiador copista”; para Bloch, a história é problematização, não narração neutra do que “realmente aconteceu”.
- (C) Correta: Esta é a tese central de Apologia da História: o historiador formula perguntas (hipóteses) e “força” os documentos a responder, pois sem questionamento o documento é mudo.
- (D) Incorreta: Bloch defende o oposto: o historiador parte das inquietações do presente para interrogar o passado; isolar-se do presente seria amputar a própria motivação da pesquisa.
- (E) Incorreta: Interpretar é inevitável e desejável; Bloch rejeita a falsa neutralidade. A subjetividade controlada pelo método é parte do ofício, não um defeito a evitar.
Armadilha da banca (no distrator mais tentador, a letra A): A pegadinha está em “render-se à evidência dos documentos”. Muitos alunos associam “crítica interna e externa” ao método histórico correto, mas a banca explora o verbo render-se: isso sugere passividade, exatamente o que Bloch combate. A crítica documental é uma ferramenta, não um fim; sem a pergunta do historiador, a crítica não tem direção. Quem marca A cai na ideia de que o documento é a “autoridade final”, quando para Bloch o historiador é o interrogador ativo.
Fonte: FCC TRT2 2018 Analista Judiciário - Apoio Especializado - Especialidade História (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.