Questão nº 60

Questão de História · FCC TRT2 2018 (nº 60)

FCC2018Analista Judiciário - Apoio Especializado - Especialidade HistóriaHistória
Gabarito: Ever comentário ↓

Referindo-se à Constituição de 1891, José Afonso da Silva faz o seguinte comentário:

O coronelismo fora o poder real e efetivo, a despeito de as normas constitucionais traçarem esquemas formais da organização nacional com teoria e divisão de poderes e tudo. A relação de forças dos coronéis elegia os governadores, os deputados e os senadores. Os governadores impunham o presidente da República. Nesse jogo, os deputados e senadores dependiam da liderança dos governadores. Tudo isso forma uma Constituição material em desconsonância com o esquema normativo da Constituição então vigente e tão bem estruturada formalmente.

(Curso de direito constitucional positivo. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 80)

Ao retratar a distância entre os preceitos constitucionais e a política real, o texto permite considerar que o coronelismo prevaleceu na política após a proclamação da República. Sobre o tema abordado é correto afirmar que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Conceito-chave: O coronelismo foi um sistema de poder real na República Velha (1889-1930) em que os grandes proprietários rurais (coronéis) controlavam os votos da população local por meio de violência, favor e troca de benefícios. A Constituição de 1891 criou um federalismo que deu autonomia aos estados, mas na prática isso fortaleceu as oligarquias estaduais, que usavam essa autonomia para manter seu domínio político e econômico, ignorando as regras formais de democracia e separação de poderes.

  • (A) Incorreta: O texto de José Afonso da Silva afirma exatamente o oposto: a Constituição formal não regulava o poder real, pois os coronéis e governadores mandavam de fato, e o presidente da República dependia deles, não era independente.
  • (B) Incorreta: A relação coronelística não impedia São Paulo de governar; pelo contrário, a "política do café com leite" (alternância entre São Paulo e Minas Gerais) foi uma marca do período, com vários presidentes paulistas, como Prudente de Morais e Campos Sales.
  • (C) Incorreta: O poder que impunha a relação era o dos coronéis e governadores civis, não do exército. O exército até perdeu espaço após a consolidação da República, e a ação dos coronéis se dava diretamente sobre o eleitorado rural, não sobre o legislativo via força militar.
  • (D) Incorreta: A participação das forças militares municipais não foi estimulada pela federação; o que existia eram milícias privadas dos coronéis (capangas), mas a base do poder era o controle eleitoral e a propriedade da terra, não uma política oficial de estímulo militar.
  • (E) Correta: O federalismo de 1891 deu aos estados autonomia para organizar suas próprias polícias e arrecadar impostos, o que garantiu às oligarquias locais (chefiadas pelos coronéis) o controle da máquina eleitoral e da população rural, consolidando o domínio oligárquico sobre a terra e os votos.

Fonte: FCC TRT2 2018 Analista Judiciário - Apoio Especializado - Especialidade História (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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