Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT18 2022 (nº 7)
[Acerca da “Igualdade”]
“Liberdade, Igualdade, Fraternidade” foi o grito de guerra da Revolução Francesa. Hoje há disciplinas inteiras − ramos da filosofia, da ciência política e dos estudos jurídicos − que têm a “igualdade” como tema central de estudos. Todos concordam que a igualdade é um valor; ninguém parece concordar quanto ao que se refere o termo. Igualdade de oportunidades? Igualdade de condições? Igualdade formal perante a lei?
Estaremos falando de uma ideologia, a crença de que todos na sociedade deveriam ser iguais − claro que não em todos os aspectos, mas nos mais importantes? Ou será uma sociedade em que as pessoas são efetivamente iguais? O que isso significaria de fato, na prática, em ambos os casos? Que todos os membros da sociedade têm igual acesso à terra, ou tratam uns aos outros com igual dignidade, ou são igualmente livres para expor suas opiniões em assembleias públicas?
A igualdade seria o apagamento do indivíduo ou a celebração do indivíduo? Numa sociedade, por exemplo, em que os mais poderosos são tratados como divindades e tomam as decisões mais importantes, é possível falar em igualdade? E as relações de gênero? Muitas sociedades tratadas como “igualitárias” na verdade têm seu igualitarismo restrito aos homens adultos. Em casos assim, podemos falar em igualdade de gêneros?
Como não existe nenhuma resposta clara e consensual a questões desse tipo, o uso do termo “igualitário” tem levado a discussões infindáveis. Para alguns teóricos do século XVII, a igualdade se manifestava no estado da Natureza. Igualdade, pois, seria um termo definido por omissão: identificaria uma humanidade que pudesse estar livre depois de removidas todas as armadilhas da civilização. Povos “igualitários” seriam, pois, aqueles sem príncipes, sem juízes, sem inspetores, sem sacerdotes, possivelmente sem cidades, sem escrita ou sequer agricultura. Seriam sociedades de iguais apenas no sentido estrito de que estariam ausentes todos os sinais mais evidentes de desigualdade.
Não há dúvida, pensando-se sempre no ideal de “igualdade”, de que algo deu muito errado no mundo. Uma ínfima parte da população controla o destino de quase todos os outros, e de uma maneira cada vez mais desastrosa.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo − Uma nova história da humanidade. Trad. Denise Bottmann e Claudio Marcondes. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 91 a 94, passim)
É plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:
- ADiga-me, então: se você acha de fato pertinente esse quadro de definições, do termo “igualdade”.
- BEu desejaria saber qual a dificuldade, que se apresenta, desde sempre para se definir o que é igualdade?
- CSem dúvida não há consenso: devido ao fato de um conceito como este ser, dúbio já na raiz.
- DHá ainda os que esperam, apesar de tudo, que um dia se estabeleça, como prática real, um efetivo igualitarismo. (alternativa correta)
- EO conceito de igualitarismo, desde sempre vacilante aguarda, que sua prática, enfim venha a se dar, entre os que nele confiam.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A pontuação serve para organizar as ideias na frase, indicar pausas e evitar ambiguidades. A regra de ouro é não separar o sujeito do verbo, o verbo do seu complemento (objeto) ou o nome do seu adjunto adnominal com vírgulas, a menos que haja uma intercalação de termos (como adjuntos adverbiais deslocados ou orações explicativas).
- (A) Incorreta: A vírgula após "definições" está errada, pois separa o substantivo "definições" do seu complemento nominal "do termo 'igualdade'".
- (B) Incorreta: A vírgula após "apresenta" está errada, pois separa o verbo "apresenta" do seu adjunto adverbial de tempo "desde sempre" e da oração adverbial de finalidade "para se definir o que é igualdade".
- (C) Incorreta: A vírgula após "ser" está errada, pois separa o verbo de ligação "ser" do seu predicativo do sujeito "dúbio".
- (D) Correta: As vírgulas estão corretamente empregadas para isolar adjuntos adverbiais intercalados ("apesar de tudo" e "como prática real"), que podem ser separados por vírgulas.
- (E) Incorreta: A vírgula após "aguarda" está errada, pois separa o verbo "aguarda" do seu objeto direto (a oração "que sua prática..."). A vírgula após "prática" também está errada, pois separa o sujeito "sua prática" do verbo "venha". A armadilha da banca aqui é a separação indevida do verbo do seu complemento e do sujeito do seu verbo.
Fonte: FCC TRT18 2022 Conhecimentos Comuns (Analista - Área Judiciária) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.