Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT18 2022 (nº 6)
[Acerca da “Igualdade”]
“Liberdade, Igualdade, Fraternidade” foi o grito de guerra da Revolução Francesa. Hoje há disciplinas inteiras − ramos da filosofia, da ciência política e dos estudos jurídicos − que têm a “igualdade” como tema central de estudos. Todos concordam que a igualdade é um valor; ninguém parece concordar quanto ao que se refere o termo. Igualdade de oportunidades? Igualdade de condições? Igualdade formal perante a lei?
Estaremos falando de uma ideologia, a crença de que todos na sociedade deveriam ser iguais − claro que não em todos os aspectos, mas nos mais importantes? Ou será uma sociedade em que as pessoas são efetivamente iguais? O que isso significaria de fato, na prática, em ambos os casos? Que todos os membros da sociedade têm igual acesso à terra, ou tratam uns aos outros com igual dignidade, ou são igualmente livres para expor suas opiniões em assembleias públicas?
A igualdade seria o apagamento do indivíduo ou a celebração do indivíduo? Numa sociedade, por exemplo, em que os mais poderosos são tratados como divindades e tomam as decisões mais importantes, é possível falar em igualdade? E as relações de gênero? Muitas sociedades tratadas como “igualitárias” na verdade têm seu igualitarismo restrito aos homens adultos. Em casos assim, podemos falar em igualdade de gêneros?
Como não existe nenhuma resposta clara e consensual a questões desse tipo, o uso do termo “igualitário” tem levado a discussões infindáveis. Para alguns teóricos do século XVII, a igualdade se manifestava no estado da Natureza. Igualdade, pois, seria um termo definido por omissão: identificaria uma humanidade que pudesse estar livre depois de removidas todas as armadilhas da civilização. Povos “igualitários” seriam, pois, aqueles sem príncipes, sem juízes, sem inspetores, sem sacerdotes, possivelmente sem cidades, sem escrita ou sequer agricultura. Seriam sociedades de iguais apenas no sentido estrito de que estariam ausentes todos os sinais mais evidentes de desigualdade.
Não há dúvida, pensando-se sempre no ideal de “igualdade”, de que algo deu muito errado no mundo. Uma ínfima parte da população controla o destino de quase todos os outros, e de uma maneira cada vez mais desastrosa.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo − Uma nova história da humanidade. Trad. Denise Bottmann e Claudio Marcondes. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 91 a 94, passim)
Transpondo-se para a voz ativa a frase os mais poderosos são tratados como divindades, a forma verbal obtida deverá ser
- Atratam-se
- Btratam (alternativa correta)
- Cdevem ser tratados
- Dtratar-se-ão
- Epodem tratar-se
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A voz ativa ocorre quando o sujeito pratica a ação expressa pelo verbo, enquanto na voz passiva o sujeito sofre a ação. Para transpor da voz passiva para a ativa, o agente da ação (que pode estar implícito) se torna o sujeito, e o verbo é conjugado de acordo.
- (A) Incorreta: "Tratam-se" é uma forma verbal que pode indicar voz passiva sintética ("Tratam-se os mais poderosos como divindades") ou um verbo pronominal/reflexivo, não a voz ativa simples.
- (B) Correta: A frase original "os mais poderosos são tratados como divindades" está na voz passiva analítica (verbo ser + particípio). Para convertê-la para a voz ativa, precisamos identificar quem pratica a ação de "tratar". Assumindo um sujeito genérico "eles" (referindo-se às pessoas que tratam), o verbo "tratar" deve ser conjugado na terceira pessoa do plural do presente do indicativo, resultando em "tratam". A frase na voz ativa seria "Eles tratam os mais poderosos como divindades".
- (C) Incorreta: "Devem ser tratados" ainda mantém a estrutura da voz passiva (verbo ser + particípio), apenas adicionando um verbo modal ("dever").
- (D) Incorreta: "Tratar-se-ão" está no futuro do presente e na voz passiva sintética (com o pronome "se"), além de não corresponder ao tempo verbal da frase original (presente).
- (E) Incorreta: "Podem tratar-se" é uma locução verbal que mantém a estrutura passiva sintética (com "se") ou pronominal, não representando a voz ativa simples.
Fonte: FCC TRT18 2022 Conhecimentos Comuns (Analista - Área Judiciária) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.