Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT18 2022 (nº 5)
[Acerca da “Igualdade”]
“Liberdade, Igualdade, Fraternidade” foi o grito de guerra da Revolução Francesa. Hoje há disciplinas inteiras − ramos da filosofia, da ciência política e dos estudos jurídicos − que têm a “igualdade” como tema central de estudos. Todos concordam que a igualdade é um valor; ninguém parece concordar quanto ao que se refere o termo. Igualdade de oportunidades? Igualdade de condições? Igualdade formal perante a lei?
Estaremos falando de uma ideologia, a crença de que todos na sociedade deveriam ser iguais − claro que não em todos os aspectos, mas nos mais importantes? Ou será uma sociedade em que as pessoas são efetivamente iguais? O que isso significaria de fato, na prática, em ambos os casos? Que todos os membros da sociedade têm igual acesso à terra, ou tratam uns aos outros com igual dignidade, ou são igualmente livres para expor suas opiniões em assembleias públicas?
A igualdade seria o apagamento do indivíduo ou a celebração do indivíduo? Numa sociedade, por exemplo, em que os mais poderosos são tratados como divindades e tomam as decisões mais importantes, é possível falar em igualdade? E as relações de gênero? Muitas sociedades tratadas como “igualitárias” na verdade têm seu igualitarismo restrito aos homens adultos. Em casos assim, podemos falar em igualdade de gêneros?
Como não existe nenhuma resposta clara e consensual a questões desse tipo, o uso do termo “igualitário” tem levado a discussões infindáveis. Para alguns teóricos do século XVII, a igualdade se manifestava no estado da Natureza. Igualdade, pois, seria um termo definido por omissão: identificaria uma humanidade que pudesse estar livre depois de removidas todas as armadilhas da civilização. Povos “igualitários” seriam, pois, aqueles sem príncipes, sem juízes, sem inspetores, sem sacerdotes, possivelmente sem cidades, sem escrita ou sequer agricultura. Seriam sociedades de iguais apenas no sentido estrito de que estariam ausentes todos os sinais mais evidentes de desigualdade.
Não há dúvida, pensando-se sempre no ideal de “igualdade”, de que algo deu muito errado no mundo. Uma ínfima parte da população controla o destino de quase todos os outros, e de uma maneira cada vez mais desastrosa.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo − Uma nova história da humanidade. Trad. Denise Bottmann e Claudio Marcondes. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 91 a 94, passim)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
- ANão correspondem aos conceitos defendidos pelos revolucionários franceses nenhuma prática moderna plenamente objetiva.
- BRestam aos que ainda se proponham a bem definir o que seja igualdade o desafio de comprová-la nas vivência sociais.
- CNão deve satisfazer a um defensor intransigente da igualdade entre os homens as convicções abstratas dos idealistas.
- DPor mais dúvidas que se coloquem diante do conceito de igualdade, não se apaga o ânimo dos humanistas esperançosos. (alternativa correta)
- EDeverá sobrevir como efeito imediato do fim das práticas autoritárias as práticas possíveis de um real igualitarismo.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Concordância verbal é a regra que exige que o verbo (a ação) se ajuste em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) ao seu sujeito (quem pratica ou sofre a ação). Para verificar a concordância, identifique o sujeito e, em seguida, ajuste o verbo a ele.
- (A) Incorreta: O sujeito é "nenhuma prática moderna plenamente objetiva" (singular), mas o verbo "correspondem" está no plural. O correto seria "Não corresponde".
- (B) Incorreta: O sujeito é "o desafio de comprová-la nas vivência sociais" (singular), mas o verbo "restam" está no plural. O correto seria "Resta".
- (C) Incorreta: O sujeito é "as convicções abstratas dos idealistas" (plural), mas a locução verbal "deve satisfazer" está no singular. O correto seria "Não devem satisfazer".
- (D) Correta: Na primeira oração, "dúvidas" (plural) é o sujeito de "coloquem" (plural). Na segunda oração, "o ânimo dos humanistas esperançosos" (singular) é o sujeito de "apaga" (singular). Ambas as concordâncias estão corretas.
- (E) Incorreta: Esta é uma armadilha comum. O sujeito da locução verbal "Deverá sobrevir" é "as práticas possíveis de um real igualitarismo" (plural). Portanto, a locução verbal deveria estar no plural: "Deverão sobrevir". A inversão da ordem (verbo antes do sujeito) pode confundir, mas o verbo sempre concorda com o sujeito, independentemente de sua posição na frase.
Fonte: FCC TRT18 2022 Conhecimentos Comuns (Analista - Área Judiciária) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.