Questão nº 12
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2024 (nº 12)
Ideal do filósofo Jean-Jacques Rousseau
A crítica às sociedades civilizadas e a idealização do homem primitivo, manifestadas a todo passo nas obras do filósofo Rousseau (1713-1784), foram vistas por muitos intérpretes como a expressão de um desejo de retorno à animalidade. Mas o que o filósofo sempre pretendeu não foi exaltar a animalidade do selvagem, mas sua mais profunda humanidade em relação ao homem civilizado.
O homem, para Rousseau, não se regenera pela destruição da sociedade e com o retorno à vida no meio das florestas. Embora privado, no estado social, de muitas vantagens da natureza, ele soube adquirir outras: capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma. Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar o instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade e fez de um ser estúpido e limitado uma criatura inteligente. O propósito visado por Rousseau é combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos.
Os abusos centralizam-se, para ele, na perda da consciência a que é conduzido o homem pelo culto dos refinamentos, das mentiras convencionais, da ostentação da inteligência e da cultura, nas quais se busca mais a admiração do próximo do que a satisfação da própria consciência. Rousseau, em uma palavra, não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias; reconhece a função útil das ciências e das artes, mas não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras. Pelo contrário, glorifica os esforços laboriosos da conquista intelectual verdadeira, que se realiza na luta contra os obstáculos da violência e na atividade do espírito crítico, livre de pressões.
A frase não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras (3º parágrafo) ganha nova forma, na qual se preservam sua correção e seu sentido básico, em:
- Aimpeça-se os artistas e os intelectuais de rebaixarem a tolos caprichos sem duração que os possam acometer.
- Bquer evitar que a submissão dos gostos caprichosos e transitórios se deem à revelia dos artistas e intelectuais.
- Cnão quer se dar conta de que frivolidades caprichosas, em ondas efêmeras, se imponham a artistas e intelectuais. (alternativa correta)
- Ddeseja impedir que artistas e intelectuais sejam vistos como submetendo a medidas vazias e gosto oportuno.
- Enão espera que virtudes vazias e atração pelo que é passageiro venha a confrontar os artistas e os intelectuais.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave aqui é equivalência de sentido, que significa encontrar uma frase diferente que expresse a mesma ideia central da frase original, mantendo a correção gramatical. É como dizer a mesma coisa com outras palavras, sem alterar a mensagem principal.
- (A) Incorreta: A expressão "impeça-se" sugere uma ordem ou uma ação a ser tomada, enquanto a frase original "não quer ver" expressa um desejo ou uma aversão de Rousseau. A mudança de "desejo" para "ação de impedir" altera o sentido.
- (B) Incorreta: A construção "submissão dos gostos caprichosos e transitórios se deem à revelia dos artistas e intelectuais" inverte o sujeito da submissão (os gostos se submeteriam, e não os artistas) e a expressão "à revelia" (sem o conhecimento ou consentimento) muda completamente a ideia de "ser submetido a".
- (C) Correta: A expressão "não quer se dar conta de que" é uma boa equivalência para "não quer ver" no sentido de "não querer aceitar ou que algo aconteça". "Frivolidades caprichosas" e "ondas efêmeras" são sinônimos adequados para "caprichos frívolos" e "modas passageiras", respectivamente. "Se imponham a" transmite a mesma ideia de "ser submetido a", pois se algo se impõe, o outro é submetido.
- (D) Incorreta: "Deseja impedir que... sejam vistos como submetendo" altera o foco. A frase original diz que ele não quer que eles sejam submetidos, e não que ele não quer que sejam vistos como submetendo (o que implicaria uma ação ativa dos artistas). Além disso, "medidas vazias e gosto oportuno" não são equivalentes a "caprichos frívolos das modas passageiras".
- (E) Incorreta: "Não espera que" (não tem expectativa de que) não tem o mesmo sentido de "não quer ver" (não deseja que aconteça). "Virtudes vazias" não é sinônimo de "caprichos frívolos", e "venha a confrontar" não equivale a "ser submetido a".
Fonte: FCC TRT-11 2024 Conhecimentos Comuns (TRT11 Grupo A) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.