Questão nº 51
Questão de Direito Processual Penal · FCC TRF3 2019 (nº 51)
Tácito, empresário, residente na cidade de Campo Grande-MS, durante uma fiscalização realizada em sua empresa por um auditor fiscal da receita federal, no mês de novembro de 2018, ofereceu ao referido funcionário público a quantia de R$ 20.000,00 para que sua empresa não fosse autuada após a constatação de sonegação tributária, cometendo, portanto, o crime de corrupção ativa, disposto no artigo 333 do Código Penal. No curso das investigações, Tácito foi eleito no último pleito eleitoral para o cargo de Senador da República. O inquérito policial foi relatado e o Ministério Público Federal deverá oferecer denúncia. Nesse caso hipotético, a competência para processar e julgar a ação penal que será instaurada contra o atual Senador Tácito será
- Ado Supremo Tribunal Federal.
- Bde uma das Varas Federais de Campo Grande-MS, com competência criminal. (alternativa correta)
- Cdo Superior Tribunal de Justiça.
- Ddo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
- Ede uma das varas criminais da Justiça Comum Estadual, da comarca de Campo Grande-MS.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A competência para processar e julgar crimes de autoridades com foro por prerrogativa de função (foro privilegiado) é definida pelo momento do crime e sua relação com o cargo. Se o crime foi cometido antes de assumir o cargo ou sem relação com ele, a competência permanece na justiça comum.
- (A) Incorreta: O Supremo Tribunal Federal (STF) seria competente se o crime tivesse sido cometido durante o exercício do mandato de Senador e em razão da função. Como o crime ocorreu em novembro de 2018, quando Tácito era empresário e antes de ser eleito Senador, a prerrogativa de função do STF não se aplica, conforme entendimento atual do próprio STF (Questão de Ordem na AP 937).
- (B) Correta: O crime de corrupção ativa foi praticado contra um auditor fiscal da Receita Federal, um funcionário público federal, em contexto de sonegação tributária, o que atrai a competência da Justiça Federal (art. 109, IV, da Constituição Federal). Como o crime foi cometido antes de Tácito assumir o cargo de Senador e não tem relação com a função, a regra do foro por prerrogativa de função não se aplica, e a competência permanece com a Vara Federal do local do crime, que é Campo Grande-MS.
- (C) Incorreta: O Superior Tribunal de Justiça (STJ) não tem competência para julgar Senadores. Senadores são julgados pelo STF.
- (D) Incorreta: O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) não tem competência para julgar Senadores. Além disso, a competência do TRF é para julgar, em regra, recursos de decisões de primeira instância federal ou autoridades específicas, não Senadores.
- (E) Incorreta: O crime envolveu um funcionário público federal (auditor fiscal da Receita Federal) e interesses da União (sonegação tributária), o que caracteriza um crime de competência da Justiça Federal, e não da Justiça Comum Estadual.
Fonte: FCC TRF3 2019 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.