Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · FCC SPPREV 2019 (nº 11)

FCC2019Analista em Gestão PrevidenciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

[Modos de valor]

"O ouro é uma coisa maravilhosa", escreveu Colombo, da Jamaica, aos reis de Espanha em 1503, "seu dono é o senhor de tudo que deseja; o ouro faz até mesmo as almas entrarem no paraíso". A fé no padrão-ouro e a crença no paraíso cristão saíram combalidas do correr dos séculos, mas o poder do dinheiro se mantém incólume.

O que lhe dá essa força? Papel-moeda ou bit digital, o poder do dinheiro na sua carteira depende da falta dele na carteira dos demais. Se os outros não precisassem dele nem o desejassem, o dinheiro de nada valeria. O dinheiro é poder de mando sobre o trabalho e os bens disponíveis no mercado, mas ele vai muito além disso: o dinheiro representa uma singular fonte de poder nas relações interpessoais – tem o dom de proporcionar ao seu possuidor a renda psíquica suplementar de um especial comando sobre a atenção, o respeito, a deferência e o afeto alheios.


Se os outros não precisassem dele nem o desejassem, o dinheiro de nada valeria.

O sentido e a correção da frase acima estarão resguardados numa nova redação, iniciando-a agora por O dinheiro de nada valeria e complementando-a com o segmento

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é a oração condicional, que expressa uma condição ou hipótese para que algo aconteça ou não. Ela geralmente é introduzida por conectivos como "se", "caso", "contanto que", "desde que", entre outros. A estrutura comum é "conectivo + verbo no subjuntivo" para a condição, e a consequência pode estar no futuro do pretérito ou no imperativo, dependendo do contexto.

Análise da frase original: "Se os outros não precisassem dele nem o desejassem, o dinheiro de nada valeria."
Aqui, "Se" introduz uma condição no pretérito imperfeito do subjuntivo ("precisassem", "desejassem"), e a consequência está no futuro do pretérito ("valeria"). O objetivo é manter essa relação de condição e o sentido.

Comentário das alternativas:

  • A) Incorreta: "ainda que" introduz uma concessão (ideia de contraste ou ressalva), não uma condição direta como "se" ou "caso". Além disso, a regência de "necessitar" exige a preposição "de" ("necessitassem dele"), tornando "lhe necessitassem" gramaticalmente incorreto.
  • B) Incorreta: "mesmo porque" introduz uma causa ou justificativa, e não uma condição ou hipótese. A frase original estabelece uma dependência condicional, não uma razão para um fato.
  • C) Correta: "caso" é um conectivo condicional perfeito, sinônimo de "se" no contexto de hipótese. "Carecessem" é um sinônimo adequado para "precisassem", e "ambicionassem" para "desejassem", ambos no pretérito imperfeito do subjuntivo, mantendo a concordância verbal e o sentido. A regência de "carecer de" ("dele não carecessem") está correta.
  • D) Incorreta: "a menos que" também introduz uma condição ("exceto se", "somente se não"), mas a construção da frase altera o sentido. "a menos que não fosse desejado" cria uma dupla negação que inverte o sentido original (que era "se não desejassem"). Além disso, "carecido pelos outros" é uma construção menos natural para expressar a falta ou a necessidade.
  • E) Incorreta: "na hipótese de que" é um conectivo condicional adequado, mas a escolha dos verbos e pronomes altera o sentido. "não lhe valorizassem" (não dessem valor a ele) não é sinônimo direto de "não precisassem dele". "nem lhes fizesse falta" (não fizesse falta a eles) é semanticamente mais próximo de "não precisassem", mas a combinação com "valorizassem" e a mudança de foco (de "precisar dele" para "fazer falta a eles") descaracteriza a equivalência exata.

Fonte: FCC SPPREV 2019 Analista em Gestão Previdenciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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