Questão nº 53
Questão de Língua Portuguesa · FCC SEDU-ES 2022 (nº 53)
Atenção: Para responder às questões de números 52 a 55, baseie-se nas quatro estrofes abaixo, extraídas do poema "Graciliano Ramos:", de João Cabral de Melo Neto. O poema é um tributo ao autor de Vidas secas, com cuja linguagem João Cabral se mostra bastante identificado.
Graciliano Ramos:
Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca[...]
Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens,
Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre[...]
Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas[...]
Falo somente para quem falo:
quem padece sono de morto
e precisa um despertador
acre, como o sol sobre o olho
Entende-se que o sujeito dessa fala tem um reiterado compromisso com
Este texto de apoio vale também pra questão nº 52, questão nº 54, questão nº 55.
- Aum discurso que se propõe a agir em determinadas condições geográficas e sociais. (alternativa correta)
- Buma pedagogia literária inteiramente envolvida com o lema "arte pela arte".
- Cos parâmetros de uma ideologia que se volta contra a objetividade dos fatos.
- Da doutrinação política de um ativista que subestima as imposições da realidade.
- Euma análise sociológica na qual se pontuam as gritantes diferenças de classe.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O poema descreve uma forma de expressão direta e essencial que está profundamente enraizada em um contexto geográfico e social específico, com o objetivo de despertar a consciência e provocar uma reação.
- (A) Correta: O poema detalha as "paisagens" do "seco" e os "Nordestes" sob um "sol do mais quente vinagre" (condições geográficas), e fala "por quem existe nesses climas" e "para quem padece sono de morto" (condições sociais), com a intenção de ser um "despertador acre", o que indica um discurso que se propõe a agir e impactar essa realidade.
- (B) Incorreta: A ideia de "arte pela arte" prega que a arte não deve ter um propósito social ou político. O poema, ao contrário, expressa um claro compromisso de falar "por quem" e "para quem" sofre, buscando um "despertador", o que demonstra uma finalidade social.
- (C) Incorreta: O poema se baseia na dura realidade do Nordeste ("o seco", "sol do mais quente vinagre", "gavião e outras rapinas"), o que demonstra um compromisso com a objetividade dos fatos, não contra ela.
- (D) Incorreta: O discurso não "subestima as imposições da realidade"; pelo contrário, ele as reconhece e as usa como base para sua fala ("do seco", "sol do mais quente vinagre"). A ideia de "doutrinação política" também é mais específica do que o "despertador acre", que visa a uma consciência mais ampla.
- (E) Incorreta: Embora o poema aborde o sofrimento social, que pode estar relacionado a diferenças de classe, ele não se limita a uma "análise sociológica" focada em "gritantes diferenças de classe". O compromisso é mais amplo: falar por e para quem sofre nessas condições, visando ao despertar, o que a alternativa A abrange de forma mais completa. A armadilha aqui é que a alternativa E toca em um aspecto presente (questões sociais), mas o descreve de forma demasiado específica ou limitante em comparação com a abrangência da alternativa A.
Fonte: FCC SEDU-ES 2022 Professor B - Língua Portuguesa (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.