Questão nº 48

Questão de Língua Portuguesa · FCC SEDU-ES 2022 (nº 48)

FCC2022Professor B - Língua PortuguesaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 48 a 51, baseie-se no texto abaixo.

Ai de ti, Ipanema

Há muitos anos, Rubem Braga começava assim uma de suas mais famosas crônicas: "Ai de ti, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas." Era uma exortação bíblica, apocalíptica, profética, ainda que irônica e hiperbólica. "Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum."

Na sua condenação, o Velho Braga antevia os sinais da degradação e da dissolução moral de um bairro prestes a ser tragado pelo pecado e afogado pelo oceano, sucumbindo em meio às abjeções e ao vício: "E os escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face".

A praia já chamada de "princesinha do mar", coitada, inofensiva e pura, era então, como Ipanema seria depois, a síntese mítica do hedonismo carioca, mais do que uma metáfora, uma metonímia.

No fim dos anos 50, Copacabana era o éden não contaminado ainda pelos plenos pecados, eram tempos idílicos e pastorais, a era da inocência, da bossa nova, dos anos dourados de JK, de Garrincha. Digo eu agora: Ai de ti, Ipanema, que perdeste a inocência e o sossego, e tomaste o lugar de Copacabana, e não percebeste os sinais que não são mais simbólicos: o emissário submarino se rompendo, as águas poluídas, as valas negras, as agressões, os assaltos, o medo e a morte.

(Adaptado de: VENTURA, Zuenir. Crônicas de um fim de século. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999, p. 166/167)


Os títulos de crônica "Ai de ti, Copacabana" e "Ai de ti, Ipanema" estão aqui associados com a justificativa de que seus autores,

Este texto de apoio vale também pra questão nº 49, questão nº 50, questão nº 51.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é a interpretação global do texto, que significa entender a mensagem principal e a intenção do autor ao analisar o texto como um todo, sem se prender apenas a detalhes isolados.

  • (A) Incorreta: Embora as crônicas compartilhem um gênero e um estilo retórico solene e moralista de fundamentação bíblica, essa alternativa descreve o modo como os autores se expressam, e não a justificativa principal para a associação dos títulos, que reside no conteúdo da lamentação.
  • (B) Incorreta: A alternativa erra ao caracterizar a mudança nos bairros como "febril agitação cultural". O texto descreve a mudança como degradação moral, poluição, violência e perda de inocência, o que é o oposto de uma "agitação cultural" positiva.
  • (C) Correta: Esta é a alternativa correta porque capta a essência da comparação entre os dois autores. Ambos constatam que lugares antes ideais ("redutos de tranquilidade e de fermentação inspiradora") sofreram uma grande degradação ("radical aviltamento") e, por isso, expressam sua condenação ou lamentação ("maldizem esse processo" com o "Ai de ti").
  • (D) Incorreta: Não há no texto um "sentimento primitivista" explícito, nem a principal acusação é contra o "progresso tecnológico". Embora a poluição seja mencionada, o foco é mais amplo, abrangendo a degradação moral e social.
  • (E) Incorreta: A alternativa distorce o sentido do texto ao sugerir que os autores lamentam que seus próprios "ofícios" (profissões) os tenham pervertido moralmente. A lamentação é sobre a degradação dos bairros, e não sobre a moralidade dos escritores.

Fonte: FCC SEDU-ES 2022 Professor B - Língua Portuguesa (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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