Questão nº 12
Questão de Língua Portuguesa · FCC PM-AP 2025 (nº 12)
[A força necessária dos princípios]
Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.
Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.
Diante das violências em curso, alguém dotado de um princípio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.
Agir por princípio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum princípio moral.
As ações comandadas por um bom princípio nos dizem que não temos de pensar se agir por princípio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por princípio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por princípio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.
(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)
Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente.
O período acima permanecerá coerente e correto caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
- Aconvencem-nos em que se faça – em cujo
- Bnos incitam de que façamos – aonde
- Cnos dissuadem a que se faça – por meio do qual
- Dinvestem-nos de ser feito – de quando
- Enos convocam para que seja feito – no qual (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Regência verbal é a relação entre um verbo e seus complementos, indicando se ele exige uma preposição específica (como "a," "de," "para") e qual a forma do complemento (infinitivo, substantivo, oração). Já os pronomes relativos (como "que," "qual," "onde") conectam orações, referindo-se a um termo anterior e assumindo a função de um termo na oração subordinada, muitas vezes exigindo uma preposição.
- (A) Incorreta: "Convencem-nos em que se faça" apresenta regência incorreta para o verbo "convencer" (o correto seria "de que" ou "a fazer"); "em cujo" é pronome relativo possessivo ("em cujo pântano"), que não se encaixa no sentido de "em que" (no qual).
- (B) Incorreta: "Nos incitam de que façamos" apresenta regência incorreta para o verbo "incitar" (o correto seria "a fazer" ou "a que façamos"); "aonde" indica movimento para um lugar, o que não é o caso de "agir em um pântano de contradições".
- (C) Incorreta: "Nos dissuadem a que se faça" altera o sentido da frase (dissuadir é desaconselhar, o oposto de convidar) e a regência de "dissuadir" é "de que" ou "de fazer"; "por meio do qual" muda o sentido de "em que" (no qual).
- (D) Incorreta: "Investem-nos de ser feito" é uma construção gramaticalmente inadequada e altera o sentido original; "de quando" é um pronome relativo que indica tempo, não lugar ou contexto.
- (E) Correta: "Nos convocam para que seja feito" mantém o sentido de convite ou exortação, e a regência de "convocar" com "para que" + subjuntivo é correta, assim como a voz passiva "seja feito" para "fazer algo". "No qual" é uma substituição gramatical e semanticamente perfeita para "em que", pois "em" + "o qual" = "no qual", referindo-se ao "pântano de contradições".
Fonte: FCC PM-AP 2025 Oficial Combatente da Polícia Militar do Estado do Amapá (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.