Questão nº 8
Questão de Língua Portuguesa · FCC PM-AP 2025 (nº 8)
Uma palavra, vários sentidos: "segurança"
As palavras nascem com um sentido original preso a um determinado contexto. Com o tempo, modificam-se, ganham novas significações por força de seu emprego em novos contextos. É essa a dinâmica de todas as línguas vivas, sobretudo em seus níveis de fala. Conhecer a história de uma palavra, por meio de sua etimologia e de seu percurso filológico, pode iluminar aspectos da história humana.
Tomemos como exemplo a palavra "segurança", um conceito dos mais discutidos em nosso tempo. Essa palavra tem origem no termo latino "securitas", que por sua vez deriva de "securus" (livre de preocupações, seguro), termo composto por "sine" (sem) e "cura" (cuidado, preocupação). Desde sua origem, pois, "segurança" remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos, ou seja, em um estado de tranquilidade e proteção.
Mas é nos diferentes contextos de seu emprego que se reconhece uma ampla gama de sentidos dessa palavra. Num nível psicológico, um indivíduo seguro está habilitado a enfrentar seus desafios munido de convictos valores pessoais. Na ordem social, a segurança se torna um bem público, a ser defendido pelas instituições que delegam a seus agentes o papel de defender os valores civilizatórios. Difícil imaginar alguém que nunca se tenha valido da proteção que nos estendem os responsáveis por nossa segurança. Já no âmbito da natureza, catástrofes podem ser, quando não evitadas, minimizadas por medidas preventivas de segurança.
Em nossos dias, o progresso avassalador da cibernética está pondo à prova as situações em que todos nós, ativa ou passivamente, integramos os processos midiáticos de comunicação, expandindo valores e interesses que entram na conformação da vida e do comportamento sociais. Quais os limites dessa propagação? Que segurança podemos ter contra os abusos extremos? – perguntam-se alguns. Ao mesmo tempo, há aqueles que reagem contra qualquer tipo de controle dos procedimentos da mídia.
Não há dúvida de que nossas fragilidades naturais, nossos interesses nem sempre comunitários, nossos instintos primitivos pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos. Caracterizar os valores que devem ser objetos prioritários da formação individual, da segurança social e do equilíbrio planetário vem-se constituindo um desafio do nosso tempo.
(Abelardo Villa Siqueira, a editar)
Há uma adequada correlação entre os tempos e modos verbais empregados na frase:
- AUma vez que não estejamos providenciando um maior controle dos abusos contra a natureza, seríamos surpreendidos por flagelos e hecatombes.
- BSe uma palavra ganhar diferentes sentidos ao longo de sua história, isso ocorreria por conta dos contextos em que ela atuara.
- CAfirma-se que a origem da palavra segurança seja "securus", que por sua vez derivasse de "sine" e "cura", expressão a se constituir no latim.
- DCaso estivesse munido de sólidas convicções pessoais, aquele rapaz não terá por que se lamentar de suas fraquezas momentâneas.
- EAs conquistas da escalada cibernética podem vir a se tornar alarmantes para quem ainda aposte na potência maior de sua consciência. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A correlação de tempos e modos verbais refere-se à harmonia e lógica na combinação dos verbos em uma frase, especialmente em orações complexas. Garante que as ações expressas pelos verbos estejam em uma relação temporal e modal consistente, evitando contradições ou ambiguidades.
(A) Incorreta: A combinação de "Uma vez que não estejamos providenciando" (presente do subjuntivo, expressando condição ou causa) com "seríamos surpreendidos" (futuro do pretérito do indicativo, expressando consequência hipotética no presente/futuro) não é a mais adequada. Para "seríamos", a condição esperada seria no pretérito imperfeito do subjuntivo ("se providenciássemos"). Se a condição é no presente do subjuntivo ("estejamos"), a consequência deveria ser no futuro do presente ("seremos") ou no presente do indicativo ("somos").
(B) Incorreta: A sequência "Se uma palavra ganhar" (futuro do subjuntivo) e "isso ocorreria" (futuro do pretérito) está correta para uma hipótese. No entanto, o uso de "ela atuara" (mais-que-perfeito do indicativo simples) para se referir aos contextos em que a palavra atuou (pretérito perfeito) ou tinha atuado (mais-que-perfeito composto) é formal e soa deslocado, não se correlacionando naturalmente com o "ocorreria" que expressa uma consequência hipotética. O mais-que-perfeito simples é geralmente usado para uma ação anterior a outra ação passada.
(C) Incorreta: A frase "Afirma-se que a origem da palavra segurança seja 'securus'" (presente do indicativo + presente do subjuntivo) está correta. Contudo, "que por sua vez derivasse de 'sine' e 'cura'" (pretérito imperfeito do subjuntivo) está incorreta. Para expressar um fato etimológico, o verbo deveria estar no presente do indicativo ("deriva") ou no pretérito perfeito do indicativo ("derivou"), e não no pretérito imperfeito do subjuntivo, que indica uma hipótese ou desejo no passado.
(D) Incorreta: A correlação entre "Caso estivesse munido" (pretérito imperfeito do subjuntivo, expressando uma condição hipotética no passado) e "não terá por que se lamentar" (futuro do presente do indicativo, expressando uma certeza futura) está inadequada. Para uma condição no pretérito imperfeito do subjuntivo, a consequência esperada seria no futuro do pretérito do indicativo ("não teria por que se lamentar").
(E) Correta: A correlação está adequada. A locução verbal "podem vir a se tornar" (presente do indicativo + infinitivo) expressa uma possibilidade no presente ou futuro. A oração subordinada "para quem ainda aposte na potência maior de sua consciência" utiliza o presente do subjuntivo ("aposte"), que está corretamente empregado para indicar uma característica ou uma condição do "quem" (aqueles que apostam), em uma oração subordinada adjetiva com valor de finalidade ou característica, que se relaciona bem com a possibilidade expressa na oração principal.
Fonte: FCC PM-AP 2025 Oficial Combatente da Polícia Militar do Estado do Amapá (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.