Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC PM-AP 2025 (nº 6)
Uma palavra, vários sentidos: "segurança"
As palavras nascem com um sentido original preso a um determinado contexto. Com o tempo, modificam-se, ganham novas significações por força de seu emprego em novos contextos. É essa a dinâmica de todas as línguas vivas, sobretudo em seus níveis de fala. Conhecer a história de uma palavra, por meio de sua etimologia e de seu percurso filológico, pode iluminar aspectos da história humana.
Tomemos como exemplo a palavra "segurança", um conceito dos mais discutidos em nosso tempo. Essa palavra tem origem no termo latino "securitas", que por sua vez deriva de "securus" (livre de preocupações, seguro), termo composto por "sine" (sem) e "cura" (cuidado, preocupação). Desde sua origem, pois, "segurança" remete à ideia de estar livre de cuidados, perigos ou riscos, ou seja, em um estado de tranquilidade e proteção.
Mas é nos diferentes contextos de seu emprego que se reconhece uma ampla gama de sentidos dessa palavra. Num nível psicológico, um indivíduo seguro está habilitado a enfrentar seus desafios munido de convictos valores pessoais. Na ordem social, a segurança se torna um bem público, a ser defendido pelas instituições que delegam a seus agentes o papel de defender os valores civilizatórios. Difícil imaginar alguém que nunca se tenha valido da proteção que nos estendem os responsáveis por nossa segurança. Já no âmbito da natureza, catástrofes podem ser, quando não evitadas, minimizadas por medidas preventivas de segurança.
Em nossos dias, o progresso avassalador da cibernética está pondo à prova as situações em que todos nós, ativa ou passivamente, integramos os processos midiáticos de comunicação, expandindo valores e interesses que entram na conformação da vida e do comportamento sociais. Quais os limites dessa propagação? Que segurança podemos ter contra os abusos extremos? – perguntam-se alguns. Ao mesmo tempo, há aqueles que reagem contra qualquer tipo de controle dos procedimentos da mídia.
Não há dúvida de que nossas fragilidades naturais, nossos interesses nem sempre comunitários, nossos instintos primitivos pedem, aqui e ali, algum controle, em favor da segurança de todos. Caracterizar os valores que devem ser objetos prioritários da formação individual, da segurança social e do equilíbrio planetário vem-se constituindo um desafio do nosso tempo.
(Abelardo Villa Siqueira, a editar)
As formas verbais atendem às normas de concordância na frase:
- AResulta da força dos nossos instintos primitivos as quebras de conduta que tanto mal nos fazem.
- BSão próprias das línguas vivas desenvolverem-se segundo a dinâmica de seu uso pelos falantes.
- CAgrega-se ao percurso histórico de uma palavra os valores dos contextos em que ela se inserir.
- DDeve-se às convicções íntimas de um indivíduo o sentimento de segurança de que ele desfruta. (alternativa correta)
- ECabem aos agentes de segurança zelar pelos valores civilizatórios que devem nos irmanar.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A concordância verbal exige que o verbo sempre combine em número (singular/plural) e pessoa com o seu sujeito. É crucial identificar corretamente o sujeito da oração, especialmente em frases com a ordem invertida.
- (A) Incorreta: O sujeito é "as quebras de conduta que tanto mal nos fazem" (plural), então o verbo deveria ser "Resultam". A proximidade de "da força" (singular) é a armadilha.
- (B) Incorreta: O sujeito é a oração infinitiva "desenvolverem-se segundo a dinâmica de seu uso pelos falantes", que funciona como um substantivo singular. O verbo deveria ser "É própria".
- (C) Incorreta: O sujeito é "os valores dos contextos em que ela se inserir" (plural). Com a partícula "se" apassivadora, o verbo deve concordar com o sujeito, portanto, deveria ser "Agregam-se".
- (D) Correta: O sujeito é "o sentimento de segurança de que ele desfruta" (singular). O verbo "deve-se" (singular) concorda perfeitamente com o sujeito. A partícula "se" é apassivadora, e o verbo concorda com o sujeito posposto.
- (E) Incorreta: O sujeito é a oração infinitiva "zelar pelos valores civilizatórios que devem nos irmanar", que funciona como um substantivo singular. O verbo deveria ser "Cabe".
Fonte: FCC PM-AP 2025 Oficial Combatente da Polícia Militar do Estado do Amapá (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.