Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · FCC PM-AP 2025 (nº 13)
[A força necessária dos princípios]
Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.
Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.
Diante das violências em curso, alguém dotado de um princípio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.
Agir por princípio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum princípio moral.
As ações comandadas por um bom princípio nos dizem que não temos de pensar se agir por princípio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por princípio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por princípio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.
(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)
É plenamente adequada a pontuação da frase:
- ARessalte-se que nesse texto, a manifestação concreta dos bons princípios, é aquela que é posta à prova, por toda sorte de violências.
- BPor vezes as violências, que são consideradas necessárias, parecem de fato apoiar-se, em consistentes justificativas morais.
- CA alusão a um trem que se deseja parar é uma metáfora, cujo sentido está em demonstrar o desafio que, aqui e ali, se põe a confrontar os nossos princípios. (alternativa correta)
- DDeve-se a certas figuras da História, o reconhecimento de seu valor, quando, mais de uma vez se mostraram resistentes, às fraquezas humanas.
- ENão há dúvida, de que é mais fácil agir, segundo os nossos interesses, do que impulsionados pela energia positiva dos grandes princípios.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A vírgula é um sinal de pontuação que serve para organizar a frase, indicando pausas e separando elementos. Ela é usada para isolar explicações (apostos, orações adjetivas explicativas), separar termos em uma enumeração, ou marcar o deslocamento de termos (como adjuntos adverbiais longos). No entanto, é um erro fundamental usar vírgula para separar o sujeito do verbo, o verbo do seu complemento (objeto direto ou indireto), ou o nome do seu complemento nominal/adjunto adnominal essencial.
- (A) Incorreta: A frase apresenta múltiplos erros de pontuação. A vírgula após "nesse texto" é desnecessária, pois "nesse texto" é um adjunto adverbial de curta extensão e não está deslocado de forma a exigir vírgula. A vírgula após "princípios" está incorreta, pois separa o sujeito ("a manifestação concreta dos bons princípios") do seu verbo ("é"). A vírgula após "posta à prova" também é desnecessária, pois "por toda sorte de violências" é um adjunto adverbial que complementa o verbo e não exige separação. Armadilha da banca: O erro mais grave e comum aqui é a separação do sujeito e do verbo por vírgula, uma das regras de pontuação mais básicas.
- (B) Incorreta: A primeira vírgula isola corretamente a oração subordinada adjetiva explicativa ("que são consideradas necessárias"). No entanto, a vírgula após "apoiar-se" está errada, pois separa o verbo ("apoiar-se") do seu complemento verbal ("em consistentes justificativas morais"). Não se separa o verbo do seu objeto ou complemento por vírgula.
- (C) Correta: A pontuação está plenamente adequada. A vírgula antes de "cujo sentido" isola uma oração adjetiva explicativa, que detalha o sentido da metáfora. As vírgulas que isolam "aqui e ali" estão corretas, pois se trata de um adjunto adverbial de lugar intercalado na oração, cujo isolamento por vírgulas é permitido para clareza, mesmo sendo de curta extensão. Não há separação indevida de sujeito/verbo ou verbo/complemento.
- (D) Incorreta: Há erros de pontuação. A vírgula após "História" está incorreta, pois separa o verbo ("deve-se") do seu sujeito ("o reconhecimento de seu valor"). A vírgula após "resistentes" também está errada, pois separa o adjetivo do seu complemento ("às fraquezas humanas").
- (E) Incorreta: A vírgula após "dúvida" está incorreta, pois separa o nome ("dúvida") da sua oração subordinada substantiva completiva nominal ("de que é mais fácil agir..."). A vírgula após "agir" também está errada, pois separa o verbo de um adjunto adverbial ("segundo os nossos interesses") que não está deslocado de forma a exigir vírgula.
Fonte: FCC PM-AP 2025 Oficial Combatente da Polícia Militar do Estado do Amapá (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.