Questão nº 16
Questão de Língua Portuguesa · FCC PGE-MT 2016 (nº 16)
Atenção: As questões de números 13 a 16 referem-se ao texto seguinte, escrito pelo filósofo francês Voltaire em 1777:
Do justo e do injustoQuem nos deu o sentimento do justo e do injusto? Foi Deus, que nos deu um cérebro e um coração. Mas em que momento nossa razão nos ensina que há vício e virtude? Quando nos ensina que dois e dois são quatro. Não há conhecimento inato, pela mesma razão por que não há árvore que contenha folhas e frutos ao sair da terra. Nada é aquilo que chamam inato, ou seja, desenvolvido ao nascer; Deus nos faz nascer com órgãos que, crescendo, nos permitem sentir tudo o que nossa espécie deve sentir para a sua própria conservação.
(Voltaire. O preço da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 1)
O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do singular para integrar corretamente a frase:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 13, questão nº 14, questão nº 15.
- ANão (haver) de ocorrer tantas injustiças, não precisaríamos definir com exatidão o que é justo.
- BA cada um (caber) as punições devidas pelos males que haja praticado.
- CNão se (imputar) ao caráter dele os deslizes que lhe sejam inatos.
- DA todos aqueles a quem (poder) servir meu exemplo, ofereço-o de bom grado. (alternativa correta)
- ENão (dever) agradar a ela, creio eu, as conclusões a que cheguei.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A concordância verbal é a regra que exige que o verbo (a ação) combine em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, etc.) com o seu sujeito (quem pratica ou sofre a ação).
- (A) Incorreta: O verbo "haver", no sentido de existir, é impessoal e, portanto, fica sempre na 3ª pessoa do singular ("houvesse"). Embora o resultado seja singular, a questão pede um verbo que flexione para o singular (ou seja, que poderia ser plural se o sujeito fosse plural), e "haver" não flexiona; ele é singular por sua própria natureza impessoal. A armadilha aqui é que, apesar de o verbo ser singular, ele não se "flexiona" para o singular por concordância com um sujeito, mas sim por ser impessoal.
- (B) Incorreta: O sujeito de "caber" é "as punições devidas" (plural). Logo, o verbo deveria estar no plural: "cabem".
- (C) Incorreta: O sujeito de "imputar" é "os deslizes" (plural). O "se" é uma partícula apassivadora. Logo, o verbo deveria estar no plural: "imputam".
- (D) Correta: O sujeito do verbo "poder" é "meu exemplo" (singular). Portanto, o verbo deve flexionar-se para o singular ("puder"). Se o sujeito fosse plural ("meus exemplos"), o verbo seria "pudessem", demonstrando que ele realmente flexiona conforme o sujeito.
- (E) Incorreta: O sujeito do verbo "dever" é "as conclusões a que cheguei" (plural). Logo, o verbo deveria estar no plural: "devem".
Fonte: FCC PGE-MT 2016 Conhecimentos Comuns (Analistas PGE-MT) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.