Questão nº 1

Questão de Língua Portuguesa · FCC PGE-MT 2016 (nº 1)

FCC2016Comum Analistas PGE-MTLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Atenção:
As questões de números 1 a 6 referem-se ao texto seguinte.
Pensar o outro

A expressão "colocar-se no lugar do outro" é antes um clichê da boa conduta que uma prática efetivamente assumida. É mais fácil repetir a fórmula desse pré-requisito para uma discussão consequente do que levar a efeito o que esta implica. Quem, de fato, é capaz de se colocar no lugar do outro para bem discernir um ponto de vista alheio ao seu? Qualquer pessoa que, por exemplo, frequente as redes sociais, sabe que, numa discussão, os argumentos de um contendor não levam em conta a argumentação do outro. Em vez de se contraporem ideias em movimento, batem-se posições já cristalizadas. A rigor, não há propriamente confronto*:* cada um olha apenas para si mesmo.*

Há a convicção de que aceitar a razão do outro é perder a própria. Por que não avaliar que o exame dos argumentos alheios pode ser uma forma de fortalecer os nossos? E se os nossos forem de fato mais fracos, por que não abdicar deles, acolher a verdade que está do outro lado e fortalecer-nos com ela? A dinâmica de um debate deve admitir o pensamento crítico, que é, e deve ser sempre, um pensamento disposto à crise*. A vida não para de nos mostrar que é com os momentos críticos que mais aprendemos. Colocar-se no lugar do outro inclui a possibilidade de querer ficar nele: por que não admitir que a razão pode estar do outro lado? Negar o outro é condenar-nos à imobilidade – essa irmã gêmea da morte.*

(MELLO, Aristides de, inédito)


A resolução de efetivamente "colocar-se no lugar do outro" constitui,

Este texto de apoio vale também pra questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5, questão nº 6.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave do texto é que "colocar-se no lugar do outro" vai além de um clichê; significa ter uma disposição genuína para considerar o ponto de vista alheio, com abertura para o pensamento crítico e a possibilidade de aprender ou até mesmo mudar as próprias convicções.

  • A) Incorreta: O texto sugere que aceitar a razão do outro, se for mais forte, é um fortalecimento, não uma fragilidade, e não há menção a uso estratégico.
  • B) Incorreta: O texto refuta a ideia de que aceitar a razão do outro é perder a própria, propondo que pode ser uma forma de fortalecer os nossos argumentos ou acolher uma verdade superior.
  • (C) Correta: A resolução de efetivamente "colocar-se no lugar do outro" implica, a princípio, uma disposição real de considerar o argumento alheio, sem preconceitos ou posições já cristalizadas, o que o texto descreve como essencial para uma discussão consequente.
  • D) Incorreta: Embora possa levar a uma reavaliação, o princípio não é a desconfiança inicial das próprias convicções, mas sim a abertura para discernir o ponto de vista alheio.
  • E) Incorreta: O texto critica a postura de apenas olhar para si mesmo e não levar em conta a argumentação do outro; "colocar-se no lugar do outro" não é para confirmar a fragilidade alheia, mas para um confronto genuíno de ideias.

Fonte: FCC PGE-MT 2016 Conhecimentos Comuns (Analistas PGE-MT) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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