Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC PGE-MT 2016 (nº 5)

FCC2016Comum Analistas PGE-MTLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Atenção:
As questões de números 1 a 6 referem-se ao texto seguinte.
Pensar o outro

A expressão "colocar-se no lugar do outro" é antes um clichê da boa conduta que uma prática efetivamente assumida. É mais fácil repetir a fórmula desse pré-requisito para uma discussão consequente do que levar a efeito o que esta implica. Quem, de fato, é capaz de se colocar no lugar do outro para bem discernir um ponto de vista alheio ao seu? Qualquer pessoa que, por exemplo, frequente as redes sociais, sabe que, numa discussão, os argumentos de um contendor não levam em conta a argumentação do outro. Em vez de se contraporem ideias em movimento, batem-se posições já cristalizadas. A rigor, não há propriamente confronto*:* cada um olha apenas para si mesmo.*

Há a convicção de que aceitar a razão do outro é perder a própria. Por que não avaliar que o exame dos argumentos alheios pode ser uma forma de fortalecer os nossos? E se os nossos forem de fato mais fracos, por que não abdicar deles, acolher a verdade que está do outro lado e fortalecer-nos com ela? A dinâmica de um debate deve admitir o pensamento crítico, que é, e deve ser sempre, um pensamento disposto à crise*. A vida não para de nos mostrar que é com os momentos críticos que mais aprendemos. Colocar-se no lugar do outro inclui a possibilidade de querer ficar nele: por que não admitir que a razão pode estar do outro lado? Negar o outro é condenar-nos à imobilidade – essa irmã gêmea da morte.*

(MELLO, Aristides de, inédito)


Quanto à concordância e à articulação entre tempos e modos, está plenamente correto o emprego das formas verbais na frase:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 6.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A correlação verbal é a harmonia entre os tempos e modos dos verbos em uma frase, garantindo que as ações se relacionem de forma lógica no tempo e na condição.

  • (A) Incorreta: Há erro de concordância verbal e nominal: "ficarem demonstradas toda a fragilidade" deveria ser "ficasse demonstrada toda a fragilidade" (o verbo e o particípio devem concordar com "fragilidade", que é singular).
  • (B) Incorreta: Há erro de concordância verbal: "são aceitáveis... a argumentação alheia" deveria ser "é aceitável... a argumentação alheia", pois o sujeito "a argumentação alheia" é singular.
  • (C) Incorreta: Há erro de correlação verbal: o presente do indicativo ("entra") não se harmoniza com o futuro do pretérito ("deveriam mostrar-se") para expressar uma generalidade ou uma condição habitual. Para uma generalidade, seria "devem mostrar-se". (Distrator mais tentador): Esta alternativa é traiçoeira porque a construção com "deveriam" pode soar plausível como uma recomendação, mas a incompatibilidade temporal com "É quando entra" quebra a lógica da correlação verbal, que é o foco da questão.
  • (D) Correta: A correlação verbal está perfeita. O futuro do pretérito ("seriam inaceitáveis") é corretamente empregado para expressar uma consequência hipotética, cuja condição é introduzida por "caso" seguido do pretérito imperfeito do subjuntivo ("faltasse consistência"). Essa é uma estrutura condicional clássica e gramaticalmente impecável.
  • (E) Incorreta: Há erro de correlação verbal e de concordância verbal. "Supõe-se que... devesse indicar" é inadequado; o presente do indicativo "supõe-se" pede "deva indicar" (presente do subjuntivo) ou "deve indicar" (presente do indicativo). Além disso, "acatariam cada um dos contendores" está incorreto, pois "cada um dos contendores" (singular) exige "acataria" (singular).

Fonte: FCC PGE-MT 2016 Conhecimentos Comuns (Analistas PGE-MT) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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