Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · FCC PGE-MT 2016 (nº 13)
Atenção: As questões de números 13 a 16 referem-se ao texto seguinte, escrito pelo filósofo francês Voltaire em 1777:
Do justo e do injustoQuem nos deu o sentimento do justo e do injusto? Foi Deus, que nos deu um cérebro e um coração. Mas em que momento nossa razão nos ensina que há vício e virtude? Quando nos ensina que dois e dois são quatro. Não há conhecimento inato, pela mesma razão por que não há árvore que contenha folhas e frutos ao sair da terra. Nada é aquilo que chamam inato, ou seja, desenvolvido ao nascer; Deus nos faz nascer com órgãos que, crescendo, nos permitem sentir tudo o que nossa espécie deve sentir para a sua própria conservação.
(Voltaire. O preço da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 1)
Considere as seguintes afirmações:
I. O sentimento do que é vicioso ou virtuoso, segundo Voltaire, aprimora-se com o tempo, à medida que vamos amadurecendo esses valores, íntimos nossos desde o nascimento.
II. Segundo Voltaire, todos nascemos aparelhados por Deus com dispositivos que nos permitem desenvolver e discernir o que precisamos conhecer para a conservação da nossa espécie.
III. A imagem da árvore, de que se vale o filósofo Voltaire, ilustra bem o caso das pessoas que nascem já providas do amadurecimento com o qual distinguem entre o que é justo e o que é injusto.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma APENAS em
Este texto de apoio vale também pra questão nº 14, questão nº 15, questão nº 16.
- AI.
- BII. (alternativa correta)
- CIII.
- DI e II.
- EII e III.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave é que Voltaire nega o inatismo moral: não nascemos com noção de justo/injusto pronta, mas com a capacidade (órgãos/cérebro) para desenvolvê-la com o tempo, como quem planta uma árvore que cresce e só depois dá frutos.
- (A) Incorreta: A afirmação I diz que os valores são "íntimos nossos desde o nascimento", o que contradiz o texto, que afirma explicitamente que "não há conhecimento inato" — eles não estão prontos em nós, apenas a capacidade para formá-los.
- (B) Correta: A afirmação II é o gabarito porque reproduz fielmente o texto: Deus nos deu órgãos que, "crescendo, nos permitem sentir tudo o que nossa espécie deve sentir para a sua própria conservação" — ou seja, nascemos com o aparelhamento, não com o conhecimento pronto.
- (C) Incorreta: A imagem da árvore ilustra exatamente o oposto do que a afirmação III diz: a árvore não nasce com folhas e frutos, assim como o ser humano não nasce com discernimento moral amadurecido — ele se desenvolve com o crescimento.
- (D) Incorreta: Como a afirmação I é falsa (ela afirma um inatismo que Voltaire nega), a combinação I e II não pode ser correta, mesmo que a II seja verdadeira.
- (E) Incorreta: A afirmação III é falsa (a árvore é usada para negar o amadurecimento ao nascer), então a combinação II e III cai na pegadinha de misturar uma verdade (II) com uma distorção (III).
Fonte: FCC PGE-MT 2016 Conhecimentos Comuns (Analistas PGE-MT) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.