Questão nº 15
Questão de Língua Portuguesa · FCC MPMT 2019 (nº 15)
Linguagens
Há muitas linguagens em nossa linguagem. Disse isso a um amigo, a propósito da diversidade de níveis de comunicação, e ele logo redarguiu:
− Mas certamente você concordará em que haverá linguagens boas e linguagens ruins, melhores e piores.
− Não é tão simples assim, respondi. Essa, como se sabe, é uma discussão acesa, um pomo da discórdia, que envolve argumentos linguísticos, sociológicos e políticos. A própria noção de erro ou acerto está mais do que relativizada. Tanto posso dizer “e aí, mano, tudo nos conformes?” como posso dizer “olá, como está o senhor?”: tudo depende dos sujeitos e dos contextos envolvidos.
As linguagens de uma notícia de jornal, de uma bula de remédio, de um discurso de formatura, de uma discussão no trânsito, de um poema e de um romance diferenciam-se enormemente, cada uma envolvida com uma determinada função. Considerar a pluralidade de discursos e tudo o que se determina e se envolve nessa pluralidade é uma das obrigações a que todos deveríamos atender, sobretudo os que defendem a liberdade de expressão e de pensamento.
(Norton Camargo Pais, inédito)
Em relação às linguagens de que nos valemos, predomina no texto o argumento segundo o qual
- Aos parâmetros de julgamento devem ser fornecidos pelos especialistas que determinam a estrutura e o bom funcionamento delas.
- Bo emprego indiscriminado delas deve-se ao fato de que estamos sempre confundindo as boas com as insuficientes.
- Celas são tão mais expressivas quanto mais alto é o nível de sofisticação cultural de quem as emprega.
- Do valor delas deve ser compreendido em função dos que as usam e das situações em que são mobilizadas. (alternativa correta)
- Enão há um critério objetivo pelo qual se possa minimamente avaliar o emprego eficaz ou ineficaz de qualquer uma delas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O texto defende que não existe uma única forma "certa" ou "errada" de usar a linguagem; a adequação e o valor de uma forma de falar ou escrever dependem sempre de quem a usa e da situação em que ela é empregada.
A) Incorreta: O texto explicitamente relativiza a noção de erro e acerto, contrariando a ideia de que especialistas devem ditar padrões rígidos.
B) Incorreta: O texto não fala em "emprego indiscriminado" ou "confusão", mas sim em escolhas conscientes baseadas no contexto.
C) Incorreta: Esta alternativa sugere uma hierarquia de valor baseada em "sofisticação cultural", o que o texto refuta ao afirmar que diferentes linguagens são válidas em seus próprios contextos (ex: "e aí, mano" vs. "olá, como está o senhor?"). A armadilha aqui é confundir a eficácia contextual com um suposto nível de "sofisticação" universalmente superior.
D) Correta: O texto afirma que "tudo depende dos sujeitos e dos contextos envolvidos", e que as linguagens se diferenciam "cada uma envolvida com uma determinada função", o que corrobora que o valor é contextual.
E) Incorreta: O texto não diz que não há critério algum; ele estabelece que o critério para avaliar a eficácia é a adequação aos "sujeitos e contextos envolvidos", ou seja, o critério existe, mas é relativo.
Fonte: FCC MPMT 2019 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.