Questão nº 16
Questão de Língua Portuguesa · FCC BANRISUL 2018 (nº 16)
[Retratos fiéis]
Não sei por que motivo há de a gente desenhar tão objetivamente as coisas: o galho daquela árvore exatamente na sua inclinação de quarenta e três graus, o casaco daquele homem justamente com as ruguinhas que no momento apresenta, e o próprio retratado com todos seus pés-de-galinha minuciosamente contadinhos... Para isso já existe há muito tempo a fotografia, com a qual jamais poderemos competir em matéria de objetividade.
Se, para contrabalançar minhas lacunas, me houvesse Deus concedido o invejável dom da pintura, eu seria um pintor lírico (o adjetivo não é bem apropriado, mas vai esse mesmo enquanto não ocorrer outro). Quero dizer, o modelo serviria tão só do ponto de partida. O restante eu transfiguraria em conformidade com meu desejo de fantasia e poder de imaginação.
(Adaptado de: QUINTANA, Mário. Na volta da esquina. Porto Alegre: Globo, 1979, p. 88)
No primeiro parágrafo, o autor do texto exprime sua convicção de que a
- Apintura, sendo mais criativa que a fotografia, desfruta de melhores condições para ser de fato uma arte.
- Bfotografia, ainda que seja uma técnica capaz de objetividade, não distingue os detalhes que uma pintura pode realçar.
- Cfotografia, em sua propriedade de retratar tudo objetivamente, alcança mais precisão do que qualquer pintura. (alternativa correta)
- Dpintura, em seu afã de retratar tudo objetivamente, acaba por relevar detalhes que a própria fotografia não exprime.
- Epintura, quando descarta sua obsessão em retratar tudo com o máximo de detalhes, aproxima-se mais da arte da fotografia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave aqui é a distinção que o autor faz, no primeiro parágrafo, entre a objetividade da fotografia e a tentativa (que ele considera inútil) da pintura de competir nesse campo. Ele argumenta que a fotografia já cumpre perfeitamente o papel de registrar a realidade de forma exata.
- (A) Incorreta: A alternativa mistura ideias do primeiro e segundo parágrafos. Embora o segundo parágrafo sugira que o autor valoriza a criatividade na pintura, o primeiro parágrafo (foco da questão) não faz essa afirmação nem compara qual é "mais arte" com base na criatividade, mas sim na capacidade de objetividade. A armadilha é usar informações de outro parágrafo ou fazer uma inferência que não está explicitamente no trecho solicitado.
- (B) Incorreta: O texto afirma o oposto. O autor descreve a fotografia como a ferramenta que capta os detalhes "exatamente", "justamente" e "minuciosamente", e que a pintura "jamais poderá competir" nesse quesito de objetividade.
- (C) Correta: O autor expressa claramente que a fotografia é superior em "matéria de objetividade" e que a pintura "jamais poderá competir" com ela nesse aspecto, o que implica que a fotografia alcança maior precisão ao retratar a realidade.
- (D) Incorreta: O autor diz que a pintura não pode competir com a fotografia em objetividade, o que significa que a fotografia é quem exprime os detalhes com mais fidelidade e precisão, e não o contrário.
- (E) Incorreta: O autor sugere que a pintura deveria abandonar a obsessão pela objetividade para explorar a fantasia e a imaginação (segundo parágrafo), mas isso seria para se diferenciar da fotografia, e não para se "aproximar" dela. Ele quer que a pintura siga um caminho distinto do da fotografia.
Fonte: FCC BANRISUL 2018 Escriturário (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.