Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC BANRISUL 2018 (nº 5)
A chave do tamanho
O antes de nascer e o depois de morrer: duas eternidades no espaço infinito circunscrevem o nosso breve espasmo de vida. A imensidão do universo visível com suas centenas de bilhões de estrelas costuma provocar um misto de assombro, reverência e opressão nas pessoas. “O silêncio eterno desses espaços infinitos me abate de terror”, afligia-se o pensador francês Pascal. Mas será esse necessariamente o caso?
O filósofo e economista inglês Frank Ramsey responde à questão com lucidez e bom humor: “Discordo de alguns amigos que atribuem grande importância ao tamanho físico do universo. Não me sinto absolutamente humilde diante da vastidão do espaço. As estrelas podem ser grandes, mas não pensam nem amam – qualidades que impressionam bem mais do que o tamanho. Não acho vantajoso pesar quase cento e vinte quilos”.
Com o tempo não é diferente. E se vivêssemos, cada um de nós, não apenas um punhado de décadas, mas centenas de milhares ou milhões de anos? O valor da vida e o enigma da existência renderiam, por conta disso, os seus segredos? E se nos fosse concedida a imortalidade, isso teria o dom de aplacar de uma vez por todas o nosso desamparo cósmico e as nossas inquietações? Não creio. Mas o enfado, para muitos, seria difícil de suportar.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 35)
Há pleno atendimento às normas de concordância verbal na frase:
- AO tempo de antes de nascer e o de depois de morrer constitui incógnitas indevassáveis à percepção humana.
- BA imensidão do universo, com suas incontáveis estrelas, aturdem e atemorizam a muitos de nós, sejam crentes ou ateus.
- CCaso lhes faltasse a imaginação, não teriam os homens qualquer preocupação com a vastidão do espaço que alcançam perceber. (alternativa correta)
- DMilhares ou milhões de anos pouco, de fato, representa para aquele que tira os olhos do universo e os interiorizam em si mesmos.
- EFôssemos todos imortais e provavelmente haveria de experimentarmos o tédio de não sentir o limite das grandes aventuras.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A concordância verbal é a regra que exige que o verbo (a palavra que indica ação, estado ou fenômeno) se ajuste em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) ao seu sujeito (quem pratica ou sofre a ação).
- (A) Incorreta: O sujeito "O tempo de antes de nascer e o de depois de morrer" é composto por dois núcleos no singular ligados por "e", o que exige o verbo no plural ("constituem"), e não no singular ("constitui").
- (B) Incorreta: O núcleo do sujeito é "A imensidão" (singular), portanto, os verbos deveriam estar no singular ("aturde e atemoriza"), e não no plural ("aturdem e atemorizam"). A presença de "incontáveis estrelas" e "muitos de nós" é a armadilha para induzir ao erro.
- (C) Correta: Todos os verbos da frase ("faltasse", "teriam", "alcançam") concordam corretamente com seus respectivos sujeitos ("a imaginação", "os homens", "os homens" - subentendido).
- (D) Incorreta: O verbo "interiorizam" (plural) não concorda com seu sujeito "aquele" (singular), que se refere a "aquele que tira os olhos". O correto seria "interioriza".
- (E) Incorreta: Embora o verbo "haveria" esteja corretamente no singular por ser impessoal (no sentido de "existir"), a construção "haveria de experimentarmos" é gramaticalmente inadequada. O verbo impessoal "haver" não deve introduzir um infinitivo pessoal ("experimentarmos") que possui sujeito ("nós", subentendido).
Fonte: FCC BANRISUL 2018 Escriturário (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.