Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC BANRISUL 2018 (nº 6)
A chave do tamanho
O antes de nascer e o depois de morrer: duas eternidades no espaço infinito circunscrevem o nosso breve espasmo de vida. A imensidão do universo visível com suas centenas de bilhões de estrelas costuma provocar um misto de assombro, reverência e opressão nas pessoas. “O silêncio eterno desses espaços infinitos me abate de terror”, afligia-se o pensador francês Pascal. Mas será esse necessariamente o caso?
O filósofo e economista inglês Frank Ramsey responde à questão com lucidez e bom humor: “Discordo de alguns amigos que atribuem grande importância ao tamanho físico do universo. Não me sinto absolutamente humilde diante da vastidão do espaço. As estrelas podem ser grandes, mas não pensam nem amam – qualidades que impressionam bem mais do que o tamanho. Não acho vantajoso pesar quase cento e vinte quilos”.
Com o tempo não é diferente. E se vivêssemos, cada um de nós, não apenas um punhado de décadas, mas centenas de milhares ou milhões de anos? O valor da vida e o enigma da existência renderiam, por conta disso, os seus segredos? E se nos fosse concedida a imortalidade, isso teria o dom de aplacar de uma vez por todas o nosso desamparo cósmico e as nossas inquietações? Não creio. Mas o enfado, para muitos, seria difícil de suportar.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 35)
Há ocorrência de forma verbal na voz passiva e adequada articulação entre os tempos e os modos verbais na frase:
- AAinda que em algum dia tenhamos para viver muito mais de 100 anos, ainda assim é que os julgássemos insuficientes.
- BCaso viéssemos a viver, no futuro, dois ou mais séculos, nada garantirá que estivéssemos satisfeitos com esse tempo de vida.
- CNa hipótese de um dia viermos a viver por alguns séculos, ainda assim houvesse quem não se satisfaria com todo esse tempo.
- DQuando, em idos tempos, a expectativa de vida era em média 35 anos, os homens não passariam a alimentar metas muito mais altas.
- EOs anos que forem bem vividos bastarão para aqueles que não costumam esperar pelo desfrute de uma margem inalcançável de tempo. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A voz passiva ocorre quando o sujeito da oração sofre a ação verbal, sendo geralmente formada por um verbo auxiliar (ser/estar) e o particípio do verbo principal. A articulação adequada entre tempos e modos verbais garante que a sequência dos verbos na frase seja lógica e gramaticalmente correta, expressando com clareza as relações temporais e de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo).
(A) Incorreta: Não há voz passiva. A articulação entre "tenhamos" (presente do subjuntivo) e "julgássemos" (imperfeito do subjuntivo) é inadequada para a condição futura e sua consequência, e a construção "é que os julgássemos" é gramaticalmente estranha.
(B) Incorreta: Não há voz passiva. A articulação entre "garantirá" (futuro do presente) e "estivéssemos" (imperfeito do subjuntivo) é inadequada; o correto seria "garantirá que estejamos".
(C) Incorreta: Não há voz passiva. A articulação entre "viermos" (futuro do subjuntivo), "houvesse" (imperfeito do subjuntivo) e "satisfaria" (futuro do pretérito) é incorreta; "houvesse" deveria ser "haveria" para concordar com "satisfaria".
(D) Incorreta: Não há voz passiva. A articulação entre "era" (imperfeito do indicativo, fato passado) e "passariam" (futuro do pretérito, condição ou consequência não realizada no passado) é inadequada para expressar uma afirmação sobre o passado; o correto seria "não passaram".
(E) Correta: Há voz passiva em "forem bem vividos" (verbo "ser" no futuro do subjuntivo + particípio "vividos"). A articulação verbal entre "forem" (futuro do subjuntivo, expressando condição futura) e "bastarão" (futuro do presente do indicativo, expressando consequência futura) está perfeitamente adequada e lógica, assim como "costumam" (presente do indicativo, expressando hábito).
Fonte: FCC BANRISUL 2018 Escriturário (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.