Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FCC AGED-MA 2018 (nº 11)
As questões de números 7 a 11 referem-se ao texto seguinte.
Explicar ou compreender?
Muitas coisas podemos explicar sem, propriamente, compreender. Mas a pessoa humana, em sua dimensão mais íntima e profunda, só pode ser compreendida, jamais explicada. Posso explicar, segundo a lei da gravidade, a queda de uma pedra do décimo andar de um edifício. A pedra está totalmente sujeita à lei da gravidade, que a determina por inteiro, de modo a permitir uma explicação cabal desse fenômeno físico, dentro do princípio estrito da causalidade mecânica. Se, entretanto, um homem desesperado atira-se desse mesmo andar, o fato passa a pertencer a nível fenomênico inteiramente distinto. Posso explicar a queda do seu corpo pela mesma lei da gravitação, mas, nessa medida, estou a assimilá-lo à pedra, e meu juízo é apenas o de um físico interessado na queda dos corpos. Se quero interpretar o seu gesto, tenho que compreendê-lo em seu significado, tenho que aceitá-lo em sua irredutível integridade. Será sempre um ato significativo, pleno de interioridade; uma resposta criadora da vontade, embora destrutiva, de uma liberdade pessoal acuada, frente a uma situação interna insuportável.
Se a pessoa humana é explicada, e não compreendida, destroem-se sua escolha e sua liberdade e, assim, degrada-se a sua história existencial. Sem liberdade interior não há história a ser compreendida, só fenômenos mecânicos. O homem, como pessoa, é um permanente emergir da necessidade, e essa emergência transcendente constitui o seu projeto como ser-no-mundo − projeto que não se pode explicar, mas que se deve buscar compreender.
(Adaptado de: PELLEGRINO, Hélio. Lucidez embriagada. São Paulo: Planeta, 2004, p. 28-29)
Classificam-se como sujeito (S) e complemento (C) da mesma forma verbal os termos destacados em
Este texto de apoio vale também pra questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10.
- AUma pessoa complexa (S) só pode ser compreendida (C), jamais explicada.
- BA transcendência (S) constitui o seu projeto (C) como ser-no-mundo. (alternativa correta)
- CPode-se explicar a lei da gravidade (C) pelos princípios da Física (S).
- DSem liberdade interior (C) não há história (S) a ser compreendida.
- EA queda de um homem desesperado (S) não é equivalente (C) à de uma pedra.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Sujeito é o termo que pratica ou sofre a ação do verbo (ou sobre o qual se declara algo); complemento verbal (objeto direto/indireto) é o termo que completa o sentido do verbo transitivo. Na letra B, "A transcendência" é quem pratica a ação de "constituir", e "o seu projeto" é o que recebe/completa essa ação.
- (A) Incorreta: "complexa" é predicativo do sujeito (qualidade atribuída ao sujeito "Uma pessoa"), não é sujeito; "compreendida" é predicativo do objeto (qualidade atribuída ao objeto "Uma pessoa"), não é complemento verbal.
- (B) Correta: "A transcendência" é o sujeito (quem constitui) e "o seu projeto" é o objeto direto (complemento verbal) do verbo transitivo direto "constitui".
- (C) Incorreta: "a lei da gravidade" é objeto direto de "explicar" (complemento), mas "princípios da Física" é agente da passiva (introduzido por "pelos"), não sujeito — o sujeito é "a lei da gravidade" (sujeito paciente).
- (D) Incorreta: "liberdade interior" é adjunto adverbial de "Sem" (circunstância de ausência), não complemento; "história" é sujeito do verbo "haver" (no sentido de "existir", que é impessoal, mas aqui "história" é o sujeito de "a ser compreendida").
- (E) Incorreta: "um homem desesperado" é complemento nominal (de "queda"), não sujeito; "equivalente" é predicativo do sujeito (qualidade de "A queda"), não complemento verbal.
Armadilha da banca na letra A: o aluno confunde "complexa" com sujeito porque está antes do verbo, mas ela é um predicativo (característica atribuída ao sujeito "Uma pessoa"). A banca explora a ordem direta da frase para fazer parecer que o adjetivo é o sujeito.
Fonte: FCC AGED-MA 2018 Conhecimentos Comuns (Fiscal Estadual Agropecuário) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.