Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC AGED-MA 2018 (nº 6)
Paisagens e riquezas
Se pudéssemos viajar por diferentes estradas do país, e em diferentes épocas, ficaríamos espantados com a variedade de plantações com que nos depararíamos. Ao longo de algumas poucas incursões minhas pelo interior de minha região, fui encontrando mares de cana, de algodão, de laranjeiras, de café, de soja, de milho e sei lá quantos mais cultivos, espelhando ciclos econômicos os mais variados. Com frequência, essas paisagens vegetais faziam parceria com instalações industriais, deixando clara a proeminência do agronegócio em nosso país.
Como sou sentimental, não me rejo apenas pelo aspecto econômico dos bons negócios; deixo-me envolver pela sedução poética que os quadros exercem sobre mim. Lembro-me, por exemplo, da melancolia com que vi desaparecem os algodoais, que regularmente floresciam com suas vestes brancas, para darem lugar ao verdor da cana mais prosaica, que viraria álcool. “O Brasil se dá ao luxo de plantar seu combustível”, diziam, não sem razão, os nacionalistas mais entusiasmados.
O fato é que nosso país está habilitado a explorar e produzir uma inimaginável gama de riquezas, a partir da diversidade de suas terras, de seus climas, de seus relevos. Por conta dessas variações, são múltiplas também as atividades pecuárias e as industriais, que a elas se atrelam. O lugar-comum de que o Brasil é um país generosamente atendido em suas formações naturais confirma-se com as paisagens tão variadas que desfilam diante do viajante. É desafio nosso cultivar, processar e distribuir com empenho os produtos dessa riqueza disponível.
(Percival de Holanda, inédito)
Se pudéssemos viajar por diferentes estradas do país (...), ficaríamos espantados com a variedade de plantações com que nos depararíamos. (1º parágrafo)
A frase acima continuará correta caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
- Aatônitos diante da / que avistaríamos (alternativa correta)
- Bperplexos mediante a / em que assistiríamos
- Caturdidos com cuja / de que testemunharíamos
- Dsurpresos na / de cujas daríamos conta
- Epasmos porquanto a / nas quais nos confrontaríamos
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Conceito-chave: A regência verbal e nominal cuida da relação de dependência entre verbos/nomes e seus complementos. A preposição que rege o verbo ou o nome deve ser mantida quando trocamos as palavras, e o pronome relativo deve concordar com o termo que substitui.
- (A) Correta: "Atônitos diante da" mantém a regência nominal de "espantados com" (espantado diante de algo), e "que avistaríamos" substitui "com que nos depararíamos" sem alterar o sentido, pois "avistar" é transitivo direto, dispensando preposição.
- (B) Incorreta: "Perplexos mediante a" é estranho à norma culta (o correto seria "perplexos com"), e "em que assistiríamos" muda o sentido, pois "assistir a" (ver) não equivale a "deparar-se com".
- (C) Incorreta: "Aturdidos com cuja" exige um substantivo após "cuja" (ex.: "com cuja variedade"), o que não ocorre; "de que testemunharíamos" está errado, pois "testemunhar" não pede "de".
- (D) Incorreta: "Surpresos na" não é regência adequada (o normal é "surpresos com"), e "de cujas daríamos conta" exigiria um substantivo depois de "cujas" e mudaria o sentido para "dar conta de algo".
- (E) Incorreta: "Pasmos porquanto a" é um erro grave, pois "porquanto" é conjunção causal, não preposição; "nas quais nos confrontaríamos" muda o sentido, pois "confrontar-se com" não é o mesmo que "deparar-se com".
Armadilha do distrator mais tentador (B): A banca troca "espantados com" por "perplexos mediante a", que parece formal, mas "mediante" não rege "a" nesse contexto (o correto seria "perplexos com"). Além disso, "assistir a" no sentido de "ver" exige a preposição "a", mas o pronome relativo "em que" não combina com "assistir a" — o certo seria "a que assistiríamos". O aluno que decora sinônimos sem revisar a preposição cai nessa pegadinha.
Fonte: FCC AGED-MA 2018 Conhecimentos Comuns (Fiscal Estadual Agropecuário) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.