Questão nº 57
Questão de Medicina do Trabalho · CESGRANRIO Transpetro PSP-RH-2018.1 (nº 57)
Paciente de 50 anos, masculino, obesidade grau I, hipertenso, chega ao pronto socorro com sangramento ativo por narinas, iniciado há 30 minutos.
Nos casos de epistaxe em adultos, qual a principal origem do sangramento?
- APróximo à cauda do corneto inferior, pela artéria esfenopalatina.
- BLesão de artéria da base do crânio, associada à hipertensão arterial.
- CHemorragia disgestiva alta com regurgitação nasal.
- DRuptura de vasos no plexo de Kisselbach na região anterior do septo. (alternativa correta)
- ESangramentos da artéria etmoidal posterior associada ao uso de anticoagulantes.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: Em adultos, a grande maioria das epistaxes (cerca de 90%) é anterior, vinda do plexo de Kiesselbach (uma rede de vasos na parte da frente do septo nasal, de fácil traumatismo por dedo, ar seco ou espirro). Sangramento posterior (de artérias maiores) é raro e geralmente associado a idosos, hipertensos graves ou uso de anticoagulantes.
- (A) Incorreta: A artéria esfenopalatina irriga a região posterior, mas essa é a causa menos comum em adultos (epistaxe posterior), e não a principal origem.
- (B) Incorreta: A hipertensão arterial não causa ruptura de artéria da base do crânio; ela apenas dificulta a hemostasia (coagulação) de um sangramento já iniciado, mas a origem principal continua sendo o plexo anterior.
- (C) Incorreta: Hemorragia digestiva alta com regurgitação nasal é um quadro gravíssimo e raro, que viria acompanhado de hematêmese (vômito com sangue) e melena (fezes escuras), não sendo a causa típica de epistaxe isolada.
- (D) Correta: O plexo de Kiesselbach (ou área de Little) fica na região ântero-inferior do septo nasal, onde 4 artérias se anastomosam (se encontram). É o local mais frágil e mais exposto a trauma (ex.: assoar o nariz), sendo a origem de quase todos os sangramentos nasais em adultos.
- (E) Incorreta: A artéria etmoidal posterior é um vaso pequeno e profundo, raramente fonte de epistaxe espontânea; o uso de anticoagulantes aumenta o risco de sangramento, mas não muda a localização anatômica mais comum (anterior).
Armadilha da banca (distrator B): A pegadinha clássica é associar "hipertenso + sangramento" a uma "ruptura de vaso por pressão alta". Na prática, a hipertensão não estoura um vaso da base do crânio; ela só faz o sangramento do plexo de Kiesselbach durar mais (pois a pressão alta impede a formação do coágulo). O aluno que marca B cai no senso comum, ignorando a anatomia da epistaxe.
Fonte: CESGRANRIO Transpetro PSP-RH-2018.1 Médico(a) do Trabalho Júnior. Reproduzida para fins de estudo.