Questão nº 32

Questão de MÉDICO(A) DO TRABALHO JÚNIOR · CESGRANRIO PSP-RH 2018.1 (nº 32)

CESGRANRIO2018MÉDICO(A) DO TRABALHO JÚNIORMÉDICO(A) DO TRABALHO JÚNIOR
Gabarito: Dver comentário ↓

Carpinteiro de 47 anos, obeso, tabagista de 30 cigarros/dia desde os 17 anos, é trazido para o serviço médico da empresa desacordado e com desidratação intensa, após esforço físico extenuante na jornada de trabalho com calor excessivo. No seu último periódico, 10 meses antes, apresentava-se em bom estado geral, índice de massa corporal de 32,2 kg/m², pressão arterial de 130/85 mmHg, circunferência abdominal de 105 cm, glicemia de jejum de 167 mg/dL, colesterol total de 281 mg/dL, sem outras alterações, tendo sido orientado a procurar atendimento médico pelo plano de saúde da empresa, o que ele fez tão logo teve oportunidade.
O que poderia ter sido feito pelo médico da empresa naquela ocasião para prevenir a última ocorrência?

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Conceito-chave: No exame periódico, o médico do trabalho não deve apenas “carimbar” o atestado; ele deve identificar riscos à saúde (como obesidade, diabetes e dislipidemia) e, principalmente, garantir que o trabalhador receba tratamento e acompanhamento adequados, pois esses fatores agravam os efeitos do calor e do esforço físico. A simples orientação verbal, sem monitoramento, não previne eventos graves como o ocorrido.

  • (A) Incorreta: Afastar o trabalhador no momento do periódico seria uma medida extrema e desproporcional, pois ele estava em bom estado geral e sem incapacidade laboral naquele dia; o problema era o risco futuro, não a aptidão imediata.
  • (B) Incorreta: Monitorar glicosúria em fitas é um método ultrapassado, impreciso e que não avalia a glicemia real; além disso, não aborda o excesso de peso nem o acompanhamento do tratamento, que são o cerne da prevenção.
  • (C) Incorreta: Iniciar tratamento medicamentoso (para diabetes ou colesterol) é atribuição do médico assistente, não do médico do trabalho, que deve encaminhar e monitorar o caso, não prescrever de forma imediata e isolada.
  • (D) Correta: O médico do trabalho deveria ter estabelecido um plano de monitoramento do tratamento (verificando se o trabalhador procurou o plano de saúde, se iniciou medicação, se controlou a glicemia) e do peso (já que a obesidade – IMC 32,2 – é fator de risco crítico para intolerância ao calor). Esse acompanhamento periódico permitiria intervenções precoces e evitaria o colapso por desidratação e esforço extremo.
  • (E) Incorreta: Melhorar o conforto térmico é uma medida de engenharia importante, mas não trata a causa individual do problema (obesidade, diabetes, tabagismo), que foi o que efetivamente precipitou o quadro grave naquele trabalhador específico.

Armadilha da banca na alternativa E: O candidato fica tentado a escolher a melhoria do conforto térmico por ser uma medida clássica de prevenção ao calor, mas a questão pergunta “o que poderia ter sido feito naquela ocasião (no exame periódico)”, ou seja, uma ação individual e clínica sobre os fatores de risco do trabalhador, não uma ação coletiva de engenharia.

Fonte: CESGRANRIO PSP-RH 2018.1 MÉDICO(A) DO TRABALHO JÚNIOR. Reproduzida para fins de estudo.

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