Questão nº 22
Questão de MÉDICO(A) DO TRABALHO JÚNIOR · CESGRANRIO PSP-RH 2018.1 (nº 22)
A epidemiologia é uma ciência que permite o desenvolvimento de estudos científicos no campo da saúde do trabalhador, e seu desenho depende basicamente de uma pergunta norteadora.
Que tipo de estudo é indicado quando se necessita avaliação de prognóstico de um determinado agravo à saúde?
- AEnsaios clínicos randomizados
- BEnsaios clínicos aleatórios
- CEstudos prospectivos duplo cego
- DEstudos clínicos quasi randomizados
- EEstudos de acurácia metodológica (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Estudo de prognóstico avalia a evolução natural de uma doença ou agravo ao longo do tempo, ou seja, quais fatores influenciam a recuperação, a cronicidade ou a morte. Para isso, o desenho mais adequado é o estudo de coorte prospectivo, que acompanha um grupo de pessoas com o agravo desde o início e observa o que acontece com elas. A banca, porém, considera que, no contexto de avaliação de prognóstico, o que se busca é a acurácia metodológica do instrumento de medida (ou seja, se o teste/ferramenta usada para medir o desfecho é válida e confiável).
- (A) Incorreta: Ensaios clínicos randomizados são usados para testar intervenções terapêuticas (eficácia de tratamentos), não para avaliar a história natural de um agravo.
- (B) Incorreta: "Ensaios clínicos aleatórios" é apenas outro nome para ensaios randomizados, com a mesma finalidade de testar intervenções, não prognóstico.
- (C) Incorreta: Estudos prospectivos duplo cego são um tipo de ensaio clínico (ou coorte) onde nem o pesquisador nem o paciente sabem o grupo de tratamento; o foco é a intervenção, não a evolução espontânea do agravo.
- (D) Incorreta: Estudos quasi randomizados (quase aleatórios) também se referem a ensaios clínicos com alocação não totalmente aleatória; servem para testar tratamentos, não prognóstico.
- (E) Correta: Estudos de acurácia metodológica avaliam a validade e a confiabilidade de instrumentos de medição (ex.: um questionário ou exame) usados para classificar o prognóstico (ex.: gravidade, risco de evolução). A banca entende que, para avaliar prognóstico, primeiro é preciso validar o método que define o desfecho.
Armadilha do distrator mais tentador (C): A pegadinha está em associar "prognóstico" a "prospectivo". O aluno lembra que coorte prospectiva é o padrão-ouro para prognóstico e marca "prospectivo duplo cego". Porém, "duplo cego" só faz sentido em ensaios clínicos com intervenção (tratamento), não em estudos observacionais de prognóstico. A banca troca o termo "coorte" por "duplo cego" para confundir quem decorou o nome do desenho sem entender o contexto.
Fonte: CESGRANRIO PSP-RH 2018.1 MÉDICO(A) DO TRABALHO JÚNIOR. Reproduzida para fins de estudo.