Questão nº 12

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR (nº 12)

CEBRASPE2025Analista de Controle Externo - Área: DireitoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Tese é uma solução a um problema — e implica um optar em face de outras alternativas descartadas. Tal optar parte da exigência de que a resposta seja "pertinente", o que limita em boa medida toda arbitrariedade. Entretanto, é óbvio que isso ainda não basta. Por que, então, o filósofo se decide por uma e não por outra? É aqui que os argumentos desempenham um papel essencial.

Todavia, se por "argumentar" entendemos algo preciso, então ele consiste em uma inferência de valores de verdade. Uma vez aceita a definição anterior, segue-se que a ideia de "argumento" não esgota nem caracteriza suficientemente a racionalidade filosófica. Existem modos de "fundamentação" que não podem ser reduzidos a "argumentos" em sentido estrito. Um desses modos mencionados é a explicitação, a qual consiste em clarificar e precisar conceitos, teses, problemas e supostos de todos os tipos de gênero.

A fundamentação (e argumentação) da tese nem sempre tem caráter linear e facilmente reconstruível; às vezes ela assume formas muito refinadas. Em algumas ocasiões, entre os argumentos, encontra-se a derivação de consequências. Toda tese contém consequências e também elas têm de ser verdadeiras. Teses são rechaçadas muitas vezes não por si mesmas, mas por suas consequências; outras vezes são aceitas pelas consequências de sua eventual negação, porque se descartou toda outra alternativa, por exemplo.

Mario Ariel Gonzáles Porta. A filosofia a partir de seus problemas: didática e metodologia do estudo filosófico. São Paulo: Edições Loyola, 2007, p. 36-38 (com adaptações).


Da leitura do texto CG1A1-II conclui-se que o trecho "a qual consiste em clarificar e precisar conceitos, teses, problemas e supostos de todos os tipos de gênero" (último período do segundo parágrafo) corresponde a uma

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Conceito-chave: O texto distingue argumentar (inferir valores de verdade, ou seja, provar algo por dedução lógica) de explicitar (esclarecer e precisar o que já está implícito, sem provar nada novo). O trecho citado define exatamente o ato de explicitação, que é um tipo de fundamentação não-argumentativa.

  • (A) Incorreta: O trecho não propõe uma solução a um problema (tese), apenas define uma atividade de esclarecimento.
  • (B) Correta: O trecho descreve a explicitação, que é um modo de fundamentação que não se reduz a argumentos, pois apenas clarifica e precisa conceitos, sem inferir valores de verdade.
  • (C) Incorreta: O trecho não fala de inferência de valores de verdade, que é a definição estrita de argumento, e sim de clarificação de termos.
  • (D) Incorreta: O trecho não apresenta uma cadeia de raciocínio com premissas e conclusão; ele apenas define uma operação de esclarecimento, que o autor opõe à argumentação.
  • (E) Incorreta: O trecho não menciona fundamentação seguida de argumentação; ele se refere apenas a um modo específico de fundamentação (a explicitação), sem qualquer sequência argumentativa.

Armadilha do distrator mais tentador (D): A banca tenta fazer o aluno confundir explicitação com argumentação, pois ambas são formas de fundamentar. Mas o texto é explícito: "argumentar" é inferir valores de verdade, e a explicitação "não pode ser reduzida" a isso. Quem marca (D) cai na pegadinha de achar que todo esclarecimento é um argumento, ignorando a definição restrita dada no segundo parágrafo.

Fonte: CEBRASPE TCE MS 2025 SERVIDOR Analista de Controle Externo - Área: Direito. Reproduzida para fins de estudo.

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