Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ SE 2025 (nº 6)
O “economês” é uma linguagem própria dos economistas, repleta de termos técnicos, siglas e conceitos que, à primeira vista, podem parecer inacessíveis para quem não é da área. O uso dessa linguagem deve-se à função do economês: ele é a caixa de ferramentas do economista, os óculos conceituais que ajudam a enxergar, analisar e interpretar os complexos mecanismos que regem a produção, o consumo e a distribuição de riqueza na sociedade.
O economês não é uma linguagem criada para excluir, mas para sintetizar. Ele encapsula décadas — às vezes séculos — de conhecimento em palavras ou expressões compactas. Essa linguagem é como um atalho: em vez de longas explicações, utiliza conceitos consolidados para comunicar ideias com precisão e eficiência.
Embora seja útil para economistas, o economês pode parecer um código fechado para quem não faz parte desse mundo. Mas isso não deveria ser assim! Afinal, os fenômenos econômicos também afetam a vida dessas pessoas.
Entender o economês vale muito a pena. Ele nos oferece ferramentas poderosas para compreendermos não apenas os debates sobre a economia global e as finanças, mas também as decisões políticas que moldam o futuro de um país. É como aprender uma nova língua: no início, os termos podem parecer estranhos, mas, uma vez que você compreende o básico, torna-se possível enxergar o mundo com mais clareza.
Se o economês é tão útil, por que ele ainda parece inacessível para tanta gente? Parte do problema parece estar na comunicação. Muitos economistas se acostumaram a usar termos técnicos sem explicar o que eles significam, o que cria uma barreira entre eles e o público geral. Para tornar o economês mais acessível, é fundamental traduzir esses conceitos de maneira clara e didática.
O economês é uma linguagem poderosa e prática. Quando bem explicado, torna-se simples, acessível e incrivelmente útil. Ao compreendermos essa “caixa de ferramentas”, ganhamos mais do que o entendimento de jargões econômicos: ganhamos a capacidade de decifrar a economia, as finanças e o Brasil.
Assinale a opção em que a reescrita proposta para o último período do texto CG1A1 preserva a correção gramatical e a coesão e coerência textuais.
- AQuando entende-se essa “caixa de ferramentas”, se ganha mais do que o entendimento de jargões econômicos: se ganha a capacidade de decifrar a economia e as finanças do Brasil.
- BQuando essa “caixa de ferramentas” é compreendida, ganhamos mais que o entendimento de jargões econômicos: se ganha a capacidade de decifrar a economia, as finanças e o Brasil.
- CQuando se compreende essa “caixa de ferramentas”, ganha-se mais que o entendimento de jargões econômicos: ganha-se a capacidade de decifrar a economia, as finanças e o Brasil. (alternativa correta)
- DAo aprender essa “caixa de ferramentas”, se ganha mais do que o entendimento de jargões econômicos: ganhamos a capacidade de decifrar a economia e as finanças do Brasil.
- EAo apreendermos essa “caixa de ferramentas”, se ganha mais do que o entendimento de jargões econômicos: ganham-se a capacidade de decifrar a economia, as finanças e o Brasil.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O ponto central é a simetria de tratamento (mesma pessoa, mesmo tempo verbal) e a clareza referencial: o texto original usa "nós" ("compreendermos... ganhamos"). A reescrita precisa manter essa coerência — ou tudo em voz passiva sintética ("compreende-se / ganha-se"), ou tudo em 1ª pessoa do plural ("compreendemos / ganhamos"). Misturar as duas quebra a coesão. Além disso, "decifrar a economia, as finanças e o Brasil" é uma enumeração de três itens — não se pode reduzir a dois nem trocar a regência.
- (A) Incorreta: "Quando entende-se" está errado: não se usa próclise ("se") após "quando" em início de oração sem palavra atrativa; o correto seria "Quando se entende". Além disso, "se ganha... se ganha" repete o "se" de forma pesada e foge do paralelismo com o original.
- (B) Incorreta: Mistura voz passiva ("é compreendida") com 1ª pessoa ("ganhamos") e depois volta ao "se ganha" — três sujeitos diferentes na mesma frase, quebrando a coesão. Também suprime "do" antes de "Brasil", alterando a regência da enumeração.
- (C) Correta: Mantém paralelismo perfeito com "se compreende / ganha-se / ganha-se" (voz passiva sintética uniforme), preserva a enumeração completa ("a economia, as finanças e o Brasil") e conserva o sentido de "mais que" (não apenas jargões, mas capacidade de decifrar). É a única sem quebra de coesão nem erro gramatical.
- (D) Incorreta: Começa com "Ao aprender" (1ª pessoa implícita) e depois usa "se ganha" (impessoal) — mudança de sujeito no meio da frase. Ainda reduz a enumeração a "economia e as finanças do Brasil", eliminando um item da lista original.
- (E) Incorreta: "Ao apreendermos" (1ª pessoa do plural) seguido de "se ganha" e "ganham-se" — três sujeitos diferentes. Além disso, "apreendermos" significa "assimilar/absorver", não "compreender" no sentido do texto; e "ganham-se a capacidade" erra a concordância (o sujeito é "a capacidade", singular → "ganha-se").
Armadilha da banca (distrator mais tentador — letra D): a banca troca "compreender" por "aprender" (sinônimo aparente) e mantém "ganhamos" no final, parecendo coerente com o "nós" do texto original. O aluno desatento marca D achando que "aprender" é equivalente e ignora que "Ao aprender... se ganha... ganhamos" mistura três sujeitos diferentes. Regra de ouro: em reescrita, verifique primeiro o sujeito de cada verbo — se oscila entre "se", "nós" e "ele", já está errada.
Fonte: CEBRASPE SEFAZ SE 2025 Conhecimentos Comuns. Reproduzida para fins de estudo.