Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ SE 2025 (nº 3)
O “economês” é uma linguagem própria dos economistas, repleta de termos técnicos, siglas e conceitos que, à primeira vista, podem parecer inacessíveis para quem não é da área. O uso dessa linguagem deve-se à função do economês: ele é a caixa de ferramentas do economista, os óculos conceituais que ajudam a enxergar, analisar e interpretar os complexos mecanismos que regem a produção, o consumo e a distribuição de riqueza na sociedade.
O economês não é uma linguagem criada para excluir, mas para sintetizar. Ele encapsula décadas — às vezes séculos — de conhecimento em palavras ou expressões compactas. Essa linguagem é como um atalho: em vez de longas explicações, utiliza conceitos consolidados para comunicar ideias com precisão e eficiência.
Embora seja útil para economistas, o economês pode parecer um código fechado para quem não faz parte desse mundo. Mas isso não deveria ser assim! Afinal, os fenômenos econômicos também afetam a vida dessas pessoas.
Entender o economês vale muito a pena. Ele nos oferece ferramentas poderosas para compreendermos não apenas os debates sobre a economia global e as finanças, mas também as decisões políticas que moldam o futuro de um país. É como aprender uma nova língua: no início, os termos podem parecer estranhos, mas, uma vez que você compreende o básico, torna-se possível enxergar o mundo com mais clareza.
Se o economês é tão útil, por que ele ainda parece inacessível para tanta gente? Parte do problema parece estar na comunicação. Muitos economistas se acostumaram a usar termos técnicos sem explicar o que eles significam, o que cria uma barreira entre eles e o público geral. Para tornar o economês mais acessível, é fundamental traduzir esses conceitos de maneira clara e didática.
O economês é uma linguagem poderosa e prática. Quando bem explicado, torna-se simples, acessível e incrivelmente útil. Ao compreendermos essa “caixa de ferramentas”, ganhamos mais do que o entendimento de jargões econômicos: ganhamos a capacidade de decifrar a economia, as finanças e o Brasil.
A coesão textual e os sentidos do texto CG1A1 seriam preservados caso se substituísse
- Aa expressão “uma vez que” (último período do quarto parágrafo) por à medida que.
- Bo vocábulo “mas” (primeiro período do segundo parágrafo) por embora.
- Ca expressão “em vez de” (último período do segundo parágrafo) por ao invés de. (alternativa correta)
- Do termo “Embora” (início do terceiro parágrafo) por Desde que.
- Ea expressão “mas também” (segundo período do quarto parágrafo) por como.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Coesão textual é a "cola" que liga as ideias do texto: conjunções, preposições e expressões que conectam orações. Trocar um conectivo só é seguro quando o sentido e a estrutura gramatical se mantêm idênticos.
- (A) Incorreta: "uma vez que" indica causa (porque); "à medida que" indica proporção/tempo (conforme). Trocar muda o sentido e quebra a coesão.
- (B) Incorreta: "mas" é conjunção coordenativa adversativa e liga orações independentes; "embora" é subordinativa concessiva e exige verbo no subjuntivo ("embora encapsule..."). A estrutura sintática se rompe.
- (C) Correta: "em vez de" e "ao invés de" são equivalentes no sentido de substituição/oposição e ambas pedem infinitivo ("em vez de longas explicações" / "ao invés de longas explicações"). Sentido e gramática preservados.
- (D) Incorreta: "Embora" marca concessão (apesar de); "desde que" marca condição/tempo (caso / a partir de). O sentido do parágrafo se inverte.
- (E) Incorreta: "mas também" integra a correlação "não apenas... mas também" (adição); "como" não cumpre esse papel e desmonta o par correlativo.
Armadilha da banca (distrator mais tentador — letra B): o aluno vê "mas" e "embora" e pensa "os dois são de oposição, então dá pra trocar". Não dá. Oposição não é o único critério: é preciso checar a classe gramatical e o modo verbal. "Mas" coordena orações de mesmo nível (verbo no indicativo); "embora" subordina e obriga o subjuntivo. Trocar gera erro de concordância/modo — a banca conta com essa confusão entre "sentido parecido" e "função gramatical idêntica".
Fonte: CEBRASPE SEFAZ SE 2025 Conhecimentos Comuns. Reproduzida para fins de estudo.