Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ SE 2025 (nº 5)
O “economês” é uma linguagem própria dos economistas, repleta de termos técnicos, siglas e conceitos que, à primeira vista, podem parecer inacessíveis para quem não é da área. O uso dessa linguagem deve-se à função do economês: ele é a caixa de ferramentas do economista, os óculos conceituais que ajudam a enxergar, analisar e interpretar os complexos mecanismos que regem a produção, o consumo e a distribuição de riqueza na sociedade.
O economês não é uma linguagem criada para excluir, mas para sintetizar. Ele encapsula décadas — às vezes séculos — de conhecimento em palavras ou expressões compactas. Essa linguagem é como um atalho: em vez de longas explicações, utiliza conceitos consolidados para comunicar ideias com precisão e eficiência.
Embora seja útil para economistas, o economês pode parecer um código fechado para quem não faz parte desse mundo. Mas isso não deveria ser assim! Afinal, os fenômenos econômicos também afetam a vida dessas pessoas.
Entender o economês vale muito a pena. Ele nos oferece ferramentas poderosas para compreendermos não apenas os debates sobre a economia global e as finanças, mas também as decisões políticas que moldam o futuro de um país. É como aprender uma nova língua: no início, os termos podem parecer estranhos, mas, uma vez que você compreende o básico, torna-se possível enxergar o mundo com mais clareza.
Se o economês é tão útil, por que ele ainda parece inacessível para tanta gente? Parte do problema parece estar na comunicação. Muitos economistas se acostumaram a usar termos técnicos sem explicar o que eles significam, o que cria uma barreira entre eles e o público geral. Para tornar o economês mais acessível, é fundamental traduzir esses conceitos de maneira clara e didática.
O economês é uma linguagem poderosa e prática. Quando bem explicado, torna-se simples, acessível e incrivelmente útil. Ao compreendermos essa “caixa de ferramentas”, ganhamos mais do que o entendimento de jargões econômicos: ganhamos a capacidade de decifrar a economia, as finanças e o Brasil.
Julgue os itens a seguir, em relação ao valor semântico de certos termos no texto CG1A1.
I A preposição “com” indica modo nos trechos “com precisão e eficiência” (final do segundo parágrafo) e “com mais clareza” (final do quarto parágrafo).
II O advérbio “ainda” indica inclusão em “ainda parece inacessível” (primeiro período do quinto parágrafo).
III A preposição “entre”, no trecho “entre eles e o público geral” (terceiro período do quinto parágrafo), indica proximidade.
Assinale a opção correta.
- AApenas o item I está certo. (alternativa correta)
- BApenas o item II está certo.
- CApenas os itens I e III estão certos.
- DApenas os itens II e III estão certos.
- ETodos os itens estão certos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O valor semântico de uma preposição ou advérbio depende do contexto em que ele aparece: a mesma palavrinha pode indicar modo, tempo, inclusão, distância etc. Por isso, o segredo é sempre perguntar "o que essa palavra está fazendo nesta frase específica?".
- (A) Correta: O item I é o único certo, porque em "com precisão e eficiência" e "com mais clareza" a preposição com introduz o modo como algo é feito (comunica de que maneira? com precisão, com clareza) — é o chamado valor modal/adverbial.
- (B) Incorreta: O item II está errado: em "ainda parece inacessível", o ainda tem valor de tempo (persiste até agora, continua), não de inclusão. Inclusão seria algo como "até o especialista ainda entende".
- (C) Incorreta: O item III está errado: em "entre eles e o público geral", a preposição entre marca relação/distância (um de um lado, outro do outro), não proximidade.
- (D) Incorreta: Como II e III estão errados, não há como dois itens certos coexistirem aqui.
- (E) Incorreta: Só o item I se sustenta; II e III caem na pegadinha de confundir tempo × inclusão e relação × proximidade.
Distrator mais tentador — a armadilha da banca: o item II é o que mais engana. Muita gente associa "ainda" automaticamente à ideia de "além disso, também" (inclusão), porque em frases como "ainda trouxe sobremesa" ele soma. Mas aqui o contexto é "por que ele ainda parece inacessível?" — ou seja, apesar de tudo, continua parecendo. É tempo/continuidade, não inclusão. Sempre volte ao contexto antes de classificar o advérbio.
Fonte: CEBRASPE SEFAZ SE 2025 Conhecimentos Comuns. Reproduzida para fins de estudo.