Questão nº 46
Questão de História do Brasil · CEBRASPE IRBR 2025 (nº 46)
Estruturas sociais e políticas criadas no período colonial e mantidas em grande parte pelo regime monárquico não foram combatidas pela elite oligárquica republicana que ajudou a derrubar a Monarquia, pois, em grande parte, ela mesma se beneficiava dessas estruturas arcaicas.
Marcos Napolitano. História do Brasil República: da queda da Monarquia ao fim do Estado Novo. São Paulo: Contexto, 2017, p.8 (com adaptações).
Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial, julgue os itens subsequentes, acerca do processo histórico brasileiro relativo à colonização, ao Império e à República.
Algumas das estruturas que sustentaram o projeto de colonização portuguesa do Brasil, a partir da primeira metade do século XVI, não foram rompidas pela Independência, a exemplo da escravidão e da concentração fundiária, do que se pode concluir que o processo de independência não foi revolucionário.
Resposta comentada
O ponto central é que a Independência do Brasil (1822) foi uma ruptura política (fim do vínculo colonial com Portugal), mas não social nem econômica: as bases da colônia continuaram de pé. Duas delas são a escravidão (trabalho compulsório de africanos e seus descendentes) e a concentração fundiária (terra nas mãos de poucos, via latifúndio e, depois, Lei de Terras). Por isso se diz que foi um processo não revolucionário — mudou o topo do poder, não a estrutura da sociedade.
- Correta: Certo. Escravidão e latifúndio atravessaram colônia → Império → República sem ruptura; a elite que fez a Independência (e depois a República) era a mesma que lucrava com essas estruturas, logo não tinha interesse em destruí-las.
Fica de olho: a banca costuma trocar "não revolucionário" por "revolucionário" ou "ruptura profunda", ou afirmar que a Independência aboliu a escravidão ou democratizou a terra — aí o item vira Errado, porque nada disso ocorreu em 1822.
Fonte: CEBRASPE IRBR 2025 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.