Questão nº 3

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE IRBR 2025 (nº 3)

CEBRASPE2025Diplomata (Terceiro Secretário)Língua Portuguesa

Bem antes que tentassem me convencer que a data de nascimento da modernidade era um espirro cartesiano, ou então um novo interesse empírico pela natureza que transpira das páginas do Novum Organum de Bacon, ou ainda (mais tarde e mais “marxista”) a abertura dos primeiros bancos — bem antes de tudo isso, quando era rapaz, se ensinava que a modernidade começou em outubro de 1492. Nos livros da escola, o primeiro capítulo dos tempos modernos eram e são as grandes explorações. Entre estas, a viagem de Colombo ocupa um lugar muito especial. Descidas Saara adentro ou intermináveis caravanas por montes e desertos até a China de nada valiam comparadas com a aventura do genovês. Precisa ler Mediterrâneo de Fernand Braudel para conceber o alcance simbólico do pulo além de Gibraltar, não costeando, mas reto para frente. Precisa, entre outras palavras, evocar o mar Mediterrâneo — este pátio comum navegável e navegado por milênios, espécie de útero vital compartilhado — para entender por que a viagem de Colombo acabou e continua sendo uma metáfora do fim do mundo fechado, do abandono da casa materna e paterna.

Julgue os itens que se seguem, relativos ao texto precedente.


Nos dois últimos períodos do texto, a substituição de “Precisa” por É preciso manteria inalterada a função sintática das orações “ler Mediterrâneo de Fernand Braudel” e “evocar o mar Mediterrâneo”.

Resposta comentada

Função sintática é o "papel" que uma palavra ou oração cumpre dentro da frase (sujeito, objeto direto, predicativo etc.). Quando trocamos uma expressão por outra, precisamos checar se esse papel muda ou não. Aqui, o verbo Precisa (impessoal, sem sujeito) rege diretamente as orações seguintes como objeto direto — quem precisa, precisa de algo? Não: "Precisa ler", "Precisa evocar" — o verbo pede complemento direto (sem preposição). Já É preciso forma uma oração sem sujeito com predicado nominal; o que vem depois passa a funcionar como sujeito (oração subjetiva), não mais como objeto direto.

  • Correta: Errado. A troca de "Precisa" por "É preciso" altera a função sintática: de objeto direto para sujeito (oração subjetiva).

O detalhe que derruba o item é a palavra "manteria inalterada" — ela é falsa, porque a função muda. Veja:

  • Com Precisa (verbo transitivo direto, impessoal): "Precisa ler Mediterrâneo..." → "ler Mediterrâneo" = objeto direto.
  • Com É preciso (expressão impessoal + predicativo): "É preciso ler Mediterrâneo..." → "ler Mediterrâneo" = sujeito (oração subjetiva).

A banca explorou exatamente essa armadilha: parece que "dá no mesmo", mas a estrutura sintática é outra.

Como ficaria certo: A substituição de "Precisa" por "É preciso" altera a função sintática das orações "ler Mediterrâneo de Fernand Braudel" e "evocar o mar Mediterrâneo", que passam de objeto direto a sujeito.

Fonte: CEBRASPE IRBR 2025 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.

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