Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE IRBR 2025 (nº 4)
Bem antes que tentassem me convencer que a data de nascimento da modernidade era um espirro cartesiano, ou então um novo interesse empírico pela natureza que transpira das páginas do Novum Organum de Bacon, ou ainda (mais tarde e mais “marxista”) a abertura dos primeiros bancos — bem antes de tudo isso, quando era rapaz, se ensinava que a modernidade começou em outubro de 1492. Nos livros da escola, o primeiro capítulo dos tempos modernos eram e são as grandes explorações. Entre estas, a viagem de Colombo ocupa um lugar muito especial. Descidas Saara adentro ou intermináveis caravanas por montes e desertos até a China de nada valiam comparadas com a aventura do genovês. Precisa ler Mediterrâneo de Fernand Braudel para conceber o alcance simbólico do pulo além de Gibraltar, não costeando, mas reto para frente. Precisa, entre outras palavras, evocar o mar Mediterrâneo — este pátio comum navegável e navegado por milênios, espécie de útero vital compartilhado — para entender por que a viagem de Colombo acabou e continua sendo uma metáfora do fim do mundo fechado, do abandono da casa materna e paterna.
Julgue os itens que se seguem, relativos ao texto precedente.
Segundo o autor do texto, o ensino da história da modernidade dirigido aos jovens fixou-se em um passado que se mantém como referência dos tempos modernos apesar das concepções relacionadas ao que foi chamado no texto de “espirro cartesiano”.
Resposta comentada
O texto diz que, antes de surgirem outras explicações para o início da modernidade (como o “espirro cartesiano” de Descartes ou o empirismo de Bacon), já se ensinava nas escolas que a modernidade começou em outubro de 1492 — com as grandes explorações, especialmente a viagem de Colombo. Ou seja: esse ensino escolar fixou 1492 como marco dos tempos modernos, e essa referência permanece (“eram e são as grandes explorações”), mesmo com outras concepções concorrentes.
- Correta: Certo. O autor afirma que o marco escolar (1492/Colombo) continua sendo a referência dos tempos modernos, apesar de outras visões como o “espirro cartesiano”.
Fica de olho: a banca costuma trocar a relação de tempo/oposição — por exemplo, dizer que o texto defende que o “espirro cartesiano” substituiu o marco de 1492 no ensino, ou que o autor rejeita 1492 como início da modernidade. No texto, 1492 é o marco que se mantém; as outras concepções são apenas mencionadas como alternativas anteriores ao “bem antes de tudo isso”.
Fonte: CEBRASPE IRBR 2025 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.