Questão nº 13

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE IRBR 2025 (nº 13)

CEBRASPE2025Diplomata (Terceiro Secretário)Língua Portuguesa

Após as experiências históricas do século passado, na psicanálise, no estruturalismo lévi-straussiano, na semiologia e no pós-estruturalismo, não há mais plausibilidade para se pensar em um humano típico do século XIX. Um ser volitivo e racional, plenamente consciente de suas necessidades materiais e que age movido por suas decisões voluntariosas com a finalidade de atender a essas necessidades. Tudo muito coerente, porém ficcional. A pessoa que pensamos desde o final do século XX é bem diversa. Muito mais ambígua e inconsistente em seu agir no mundo, um agir reativo ao seu meio em confronto com suas vivências culturais. Atende a necessidades materiais e a “necessidades” simbólicas, isto é, a desejos. Pensamos a pessoa como um animal simbólico e desejante, uma estrutura movida por algo bem mais complexo do que aquela simples e plena consciência racional. Movimenta-se por algo que vai além de suas necessidades biológicas. O desejo abarca a necessidade.

Cada pessoa é uma entidade eminentemente simbólica, deseja por meio do simbólico. Movimenta-se por seus desejos, fala seus desejos, deseja mediante a expressão simbólica. Fala por significações desejantes. Trata-se de um ente constituído na e pela linguagem, enlaçado socialmente pela linguagem. Não uma linguagem como mera transmissão de ideias que já estariam na consciência individual. Não uma linguagem como um simples produto da mente racional e intencional que estaria meramente expressando e comunicando pensamentos que a antecedem, mas linguagem como produção, como processo de produção de ideias desejantes. Uma linguagem considerada como laço societário. Como aquilo que une um humano a outro, que os faz humanos e, assim, os torna pessoas simbólico-desejantes. São sujeitos sujeitados à linguagem. Cada pessoa fala seus desejos e se torna sujeito desses desejos que a sujeitam.

Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue os seguintes itens.


No último período do texto, o autor enfatiza a capacidade que tem o ser humano de expressar o objeto de seu desejo e destaca como esse seu desejo o aprisiona.

Resposta comentada

O autor diz que a pessoa fala seus desejos (expressa o objeto do desejo pela linguagem) e, ao mesmo tempo, se torna sujeito desses desejos que a sujeitam — ou seja, o desejo passa a comandar, a "prender" o sujeito. É a dupla face: expressão e sujeição.

  • Correta: Certo. O último período afirma literalmente que a pessoa "fala seus desejos" (expressão) e "se torna sujeito desses desejos que a sujeitam" (aprisionamento/subordinação ao desejo).

Fica de olho: A banca costuma trocar "sujeitado à linguagem/desejo" por algo como "livre e consciente para escolher seus desejos" ou "domina racionalmente o próprio desejo" — aí o item vira Errado, porque contraria justamente a ideia de sujeição.

Fonte: CEBRASPE IRBR 2025 Diplomata (Terceiro Secretário). Reproduzida para fins de estudo.

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